Romenos manifestam-se contra corrupção e repressão
PROTESTO Dezenas de milhares de romenos regressaram às ruas de Bucareste, no sábado, 11, para repudiar a corrupção e condenar a violência policial durante a manifestação realizada na véspera.
A reforma judicial é o principal motivo dos protestos
O protesto de sexta-feira, organizado por organizações de emigrantes, reuniu cerca de 80 mil pessoas nas ruas da capital romena, que exigiram a demissão do governo e eleições antecipadas.
O protesto degenerou em confrontos com a polícia de choque quando os manifestantes tentaram passar a barreira de segurança que os separava da sede governamental.
Mais de 450 pessoas ficaram feridas, incluindo 30 polícias, em resultado das cargas das forças da ordem que utilizaram canhões de água, gases pimenta e lacrimogéneo.
O presidente da Roménia, Klaus Iohannis, conhecido opositor ao governo social-democrata, condenou de imediato a intervenção da polícia de choque, considerando-a «desproporcionada» num protesto que foi maioritariamente pacífico.
Muitos dos participantes atravessaram vários países europeus de carro para manifestarem o seu descontentamento pela forma como o país está a ser governado, nomeadamente no que diz respeito à luta contra a corrupção.
No sábado, os manifestantes apelaram à resistência, gritando palavras de ordem como «Não tenham medo! Os romenos vão erguer-se!».
Em várias outras cidades, como Sibiu (Centro) e Timisoara (Oeste), milhares de pessoas juntaram-se aos protestos sob a consigna «Unidos, salvaremos a Roménia».
O país tem sido abalado por frequentes manifestações desde há um ano e meio. Em Fevereiro de 2017 cerca de meio milhão de pessoas inundaram as ruas para condenar a impunidade da corrupção no país.
O principal motivo dos protestos tem sido a reforma judicial lançada pelo partido Social-Democrata, no poder desde 2016, que os opositores consideram pôr em causa a independência dos magistrados e visar ilibar responsáveis políticos por crimes de corrupção, nomeadamente o líder dos sociais-democratas, Liviu Dragnea.