Falta de vergonha e de respeito

Manuel Rodrigues

De passagem por Cantanhede na passada segunda-feira, o líder do PSD, Rui Rio, teceu considerações sobre a descida da taxa de desemprego em Portugal anunciada pelo INE.

Terá mesmo afirmado em tom solene: «Esses empregos que podem melhorar a produtividade do País são justamente aqueles portugueses que estão a emigrar». E acrescentou: «Os empregos que estão a ser criados são empregos de salários baixos.»

Sobre tão brilhantes conclusões, nada haveria a dizer não fossem as tão evidentes incoerências e contradições do responsável dum partido com tantas responsabilidades na elevada taxa de desemprego no País, nos elevados fluxos migratórios e nos baixos salários praticados. Mesmo sabendo que Rui Rio não tem respostas para dar, apetece perguntar:

1) Se se disse preocupado com a taxa de desemprego em Portugal e os baixos salários, então por que valorizou o PSD a proposta do Governo recentemente aprovada na AR, que vem piorar a legislação laboral, aumentar a precariedade e, portanto, facilitar o desemprego?...

2) Por que razão não apoiou o PSD o projecto de lei do PCP que propunha o aumento do Salário Mínimo Nacional para 600 euros em Janeiro de 2018 e alinha sempre com o grande patronato contra os direitos laborais?...

3) E, já agora, por que votou contra todas as propostas do PCP de eliminação das normas gravosas da legislação laboral?...

3) E ainda, por que razão assume o PSD uma orientação estratégica de se colocar invariavelmente ao lado do Governo minoritário do PS, sempre que se trata de acautelar os intocáveis interesses do grande capital?

Diz o povo que quem não tem vergonha todo o mundo é seu. E que dizer quando à falta de vergonha se junta a falta de respeito aos trabalhadores e ao povo português?...

 



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