Já mete nojo!
Lemos o primeiro-ministro tentar justificar o Acordo PS/PSD/UGT/Patrões sobre as leis laborais com a seguinte frase: «A criação de melhores condições para pais e mães conciliarem vida profissional e familiar é fator chave».
E, sinceramente, já mete nojo tanta hipocrisia e tanta demagogia. É que o problema é real e sério demais. E o Governo sabe que com este Acordo – celebrado por patrões e pelos colaboradores da UGT – não se vai resolver um problema aos trabalhadores, e antes irão ser criados novos.
Ouvimos esta semana, em Audição Parlamentar, os técnicos de instalação de telecomunicações. Num mercado onde as grandes empresas com cada vez menos trabalhadores no quadro ganham cada vez mais milhões de euros, e onde os trabalhadores são empurrados para serem contratados por subempreiteiros dos empreiteiros, ou para se disfarçarem de «empresários» por conta própria, com o preço da força de trabalho a ser esmagado e os trabalhadores sujeitos a cargas de trabalho cada vez maiores, que absorvem 10, 12, 14 horas, e feriados, e fins de semana.
Reunimos com motoristas de pesados de mercadorias. Afastados de casa dias a fio, obrigados a «descansar» em locais sem condições e a servir, enquanto «descansam», de guardas da carga transportada, empurrados para a execução de tarefas extra-condução, que esticam o tempo de trabalho efectivo com trabalho não pago, e confrontados com um Estado que os fiscaliza e multa enquanto profissionais, mas se recusa a sequer fiscalizar quem os explora ilegalmente.
E podíamos dar tantos outros exemplos. Todos eles exigem respostas e não promessas. Exigem medidas - estruturais - com impacto positivo na sua vida. Exigem que o Estado tome partido por eles! Muitos não o sabem, mas exigem uma política patriótica e de esquerda que rompa com a política de direita. E estão cada vez mais longe de um governo que quer o apoio dos trabalhadores mas toma sempre partido pelo grande capital.