Greves nos transportes por direitos e melhores salários

REIVINDICAÇÃO A primeira greve na Ryanair, com efeitos que persistem, veio somar força às lutas no sector dos transportes, na EMEF, na Infra-estruturas de Portugal e no Metropolitano de Lisboa.

As lutas são também para melhorar a prestação do serviço aos utentes

Por aumento dos salários, iniciaram-se esta segunda-feira lutas em empresas rodoviárias dos distritos do Porto, Braga, Viana do Castelo e Bragança, dinamizadas pelo STRUN, informou a Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN).

Representantes dos trabalhadores da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF, do Grupo CP) reúnem-se hoje, dia 12, na sede da CGTP-IN, «para organizarmos a decisão assumida na resolução do passado dia 28», como refere o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário. Naquele documento, aprovado durante a acção «ocupemos as escadinhas», junto ao edifício das administrações da CP e da EMEF, ficou expresso que, «se até dia 6 não houver um acordo relativo ao aumento do salário, sem prejuízo da negociação das restantes matérias, se realizará no mês de Abril uma luta nacional na forma de greve, em modo a definir, sem prejuízo das outras lutas em curso».
A reunião de hoje, promovida em conjunto com a Comissão de Trabalhadores da EMEF, deverá apurar a discussão realizada nos locais de trabalho sobre «a forma mais eficaz de luta, de âmbito nacional». Além de aumentos salariais em termos semelhantes aos que resultaram do acordo celebrado na CP, é exigido: actualização do subsídio de turno e outras matérias pecuniária; revisão do Acordo de Empresa e negociação de um novo Regulamento de Carreiras; fim da precariedade dos vínculos laborais, com a passagem a efectivos dos trabalhadores nesta situação e readmissão dos 10 trabalhadores despedidos das oficinas de Santa Apolónia; admissão dos trabalhadores necessários para suprir as faltas e permitir o rejuvenescimento dos efectivos; retorno da EMEF à CP.
No dia 6, como se referia no comunicado do sindicato, a administração disse ter uma proposta para apresentar aos trabalhadores, mas ainda sem a validação da tutela, embora adiantando que tem em conta o que foi assinado na CP. Isto «será uma boa base de trabalho», mas «é preciso que seja formalizada», comentou o SNTSF.
Uma concentração de trabalhadores da EMEF, em greve três horas por turno, teve lugar na segunda-feira, dia 9, junto à estação de Metro da Trindade, no Porto.

Para a próxima quinta-feira, dia 19, «na rua», está convocado um plenário nacional de trabalhadores das empresas do universo Infra-estruturas de Portugal (IP, que resultou da fusão entre Refer e Estradas de Portugal), convocado por 13 sindicatos e pela Comissão de Trabalhadores.
Reunidas no dia 4, estas 14 estruturas representativas saudaram a grande adesão dos trabalhadores à greve de 2 de Abril (que recebeu uma mensagem de solidariedade da Federação Sindical Mundial), lamentaram a «postura pouco séria» da administração e do Governo e, considerando declarações do secretário de Estado das Infra-estruturas, decidiram enviar à tutela e ao primeiro-ministro um projecto de acordo, retomando o que foi discutido na negociação com os representantes da empresa, mas depois estes não quiseram reduzir a escrito claramente.
Ainda sobre os 11 milhões de euros, referidos pelo secretário de Estado como destinados a aumento das remunerações, confirma-se nas conclusões da reunião que uma eventual proposta nesse montante terá o acordo das organizações sindicais, «se e quando a mesma lhes for apresentada».
No dia 19, aos participantes no plenário será colocada a opção de «ratificarem o acordo ou decidirem novas formas de luta, incluindo a greve».

Também para dia 19, a Fectrans, o STTM, o Sindem, o Sitra e o Sitese anunciaram a 23 de Março que iam convocar greve, por 24 horas, no Metropolitano de Lisboa, «na sequência dos plenários realizados no final de Janeiro e de todo o trabalho realizado junto da administração, para evitar o extremar de posições».
Os sindicatos procuraram «esgotar todos os caminhos que pudessem garantir os compromissos necessários», mas «existem mais do que motivos para que, no dia 19 de Abril, todos os trabalhadores, sem excepção, dêem a única resposta que gerações de trabalhadores sempre deram, a resposta da unidade e da luta».

Luta na Ryanair pode alargar-se

No dia 4 – terceira e última jornada da série de greves iniciada a 29 de Março e que incluiu o Domingo de Páscoa, 1 de Abril –, a adesão dos tripulantes de cabine da Ryanair manteve-se elevada e teve reflexos indisfarçáveis na operação da transportadora de baixo custo.
Na Assembleia da República, durante uma audição ao ministro do Trabalho, a deputada comunista Rita Rato defendeu que o Governo deve avançar para o corte dos apoios públicos a uma companhia que não cumpre a legislação nacional.
Presente nessa quarta-feira na sede do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, em Lisboa, o Secretário-geral da EurECCA condenou a substituição de trabalhadores em greve e defendeu que a Ryanair deve cumprir a legislação nacional e europeia. Em declarações à agência Lusa, Christoph Drescher mostrou-se «positivamente surpreendido» pela adesão à greve.
Em Faro, também na tarde de quarta-feira da semana passada, numa conferência de imprensa em que estiveram dirigentes do sindicato homólogo italiano, um dirigente do SNPVAC admitiu que a luta poderia evoluir para uma «greve europeia».
Na segunda-feira, dia 9, o SNPVAC confirmou que, para preparar uma resposta conjunta ao comportamento da Ryanair, foi convocada para dia 24, em Lisboa, uma reunião de organizações sindicais de tripulantes de diversos países europeus.

 



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