Franceses manifestam-se contra reformas de Macron
SERVIÇOS PÚBLICOS Funcionários públicos, ferroviários, utentes e estudantes confluíram, dia 22, para a Praça da Bastilha, em Paris, para reclamar o aumento dos salários e defender os serviços públicos.
Trabalhadores lutam pelos direitos e pelos serviços públicos
Na função pública, sete sindicatos (CGT, FO, FSU, CFE-CGC, CFTC, Solidaires e FA-FP) convocaram uma greve que foi seguida nas diferentes áreas de actividade: Saúde, ensino, serviços do Estado e até aviação civil, onde a paralisação dos controladores aéreos provocou a anulação de um terço dos voos nos principais aeroportos do país.
Por toda a França tiveram lugar centena e meia de manifestações e concentrações, nas quais participaram cerca de meio milhão de pessoas, segundo cálculos da CGT.
Em Paris, a manifestação nacional dos ferroviários, contra a transformação da companhia pública de caminhos-de-ferro (SNCF) em sociedade anónima, confluiu naturalmente com o protesto dos funcionários públicos.
Além dos ferroviários, juntaram-se à marcha estudantes, pensionistas, cidadãos e até mesmo o Sindicato dos Advogados de França, em luta contra a reforma judiciária e pelo direito de acesso à justiça.
As reivindicações próprias de cada sector convergem numa causa comum: a defesa dos serviços públicos.
Com efeito, tanto as alterações na administração pública como a reforma da SNCF, ao mesmo tempo que visam retirar direitos e precarizar vínculos laborais, têm como principal objectivo fragilizar os serviços públicos e restringir o seu acesso aos cidadãos.
Ao propósito de eliminar 120 mil postos de trabalho no Estado, o governo de Macron junta a chamada reforma ferroviária, que conduzirá ao encerramento de linhas e à diminuição da oferta pública, para assim abrir campo aos operadores privados e à sacrossanta concorrência.
Os sindicatos preparam novas acções convergentes para a jornada nacional de luta proposta pela CGT para 19 de Abril.
Políticas impopulares
Consequência das políticas que tem vindo a prosseguir, a popularidade do presidente Emmanuel Macron atingiu o ponto mais baixo desde que chegou ao poder.
Uma sondagem do instituto BVA, divulgada, dia 23, revela que 57 por cento dos franceses têm uma opinião negativa e apenas 40 por cento aprovam a acção do chefe do Estado.
Há dez meses, quando foi empossado, Macron contava com 62 por cento de opiniões favoráveis e 35 por cento negativas.