Protestos na Catalunha contra escalada da repressão
Milhares de pessoas manifestaram-se, dia 23, em Barcelona e noutras cidades da Catalunha, em protesto contra a perseguição e prisão de dirigentes independentistas.
As acções foram convocadas na véspera, pela Assembleia Nacional Catalã e pelos Comités de Defesa da República, antes do anúncio das decisões da justiça espanhola contra dirigentes independentistas.
O juiz do Supremo Tribunal encarregado do inquérito acusou formalmente 13 dirigentes independentistas de «rebelião», uma infracção passível de 30 anos de prisão.
A acusação de rebelião incide também sobre Marta Rovira, destacada dirigente da Esquerda Republicana da Catalunha, que para evitar comparecer em tribunal, com risco de prisão, decidiu exilar-se na Suíça.
O juiz Pablo Llarena acusou ainda do crime de desobediência ou de peculato outros 12 dirigentes de forças políticas independentistas, num total de 25 acusados.
Por último, emitiu mandados internacionais de captura contra o ex-presidente Carles Puigdemont e quatro dos seus ministros, exilados na Bélgica desde Outubro passado.
Os protestos repetiram-se no domingo, 25, na sequência da detenção de Puigdemont na Alemanha, quando regressava à Bélgica de uma viagem à Finlândia, e continuaram durante semana.
Comunistas condenam prisões
O Partido Comunista de Espanha (PCE) e o Partido Socialista Unificado da Catalunha (PSUC-Viu) condenaram, dia 24, em comunicado conjunto, as prisões dos cinco dirigentes catalães, salientando que se trata de uma decisão com o «claro intuito político» de «inabilitar preventivamente» os visados de se apresentarem à investidura a presidente do governo regional.
Lembrando que sempre rejeitaram a separação da Catalunha de Espanha, apostando numa república federal em que «todos os povos de Espanha façam parte de um mesmo projecto colectivo plenamente democrático e solidário», o PCE e PSUC-Viu consideram que as referidas decisões judiciais «são contraproducentes para a busca de uma solução política da crise catalã e vão provocar um aumento do sentimento independentista, além de serem juridicamente questionáveis».