Lisboa acolhe manifestação nacional de mulheres por um futuro de justiça social para todos

DIREITOS «Igualdade e justiça social, no presente com futuro!» é o lema da manifestação nacional de mulheres que regressa a Lisboa, a 10 de Março, no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Mulher.

Afirmar a actualidade e justeza das reivindicações do MDM

Promovida pelo Movimento Democrático de Mulheres (MDM), a manifestação tem início às 14h30, nos Restauradores, em Lisboa. Dali o desfile seguirá pelo Rossio, Rua do Ouro e termina na Ribeira das Naus (junto ao rio Tejo).

Na rua, as mulheres – trabalhadoras, desempregadas, jovens ou reformadas – vão reivindicar uma verdadeira política de igualdade que ponha fim ao desemprego, à precariedade, aos baixos salários, à discriminação salarial, à desregulação dos horários de trabalho; respeite a função social da maternidade e paternidade e assegure o direito das mulheres a ter os filhos que desejam; valorize os salários, o salário mínimo nacional, as reformas e pensões; combata as violências contra as mulheres e as raparigas, reforce a protecção e o apoio às vítimas, e combata a mercantilização do corpo da mulher.

A acção servirá, também, para exigir o direito à saúde para todos e a saúde sexual e reprodutiva no quadro do Serviço Nacional de Saúde; o reforço dos direitos das mulheres à Segurança Social, à Justiça, à habitação e transportes; ao acesso a uma rede pública de apoio à infância, aos idosos e às pessoas com deficiência; a valorização do estatuto social das mulheres, das suas qualificações e saberes.

Retrocessos significativos
Em declarações ao Avante!, Sandra Benfica, da Direcção Nacional (DN) do MDM, denunciou que, hoje, em Portugal «existem direitos que as mulheres não podem exercer» e que, em pleno século XXI, permanecem «as discriminações, as violências e a desigualdade», que «são absolutamente inaceitáveis».

Por outro lado, refere, «temos sentido retrocessos significativos», particularmente «no mundo do trabalho». «Não é só a discriminação salarial. São os baixíssimos salários, a desregulação dos horários de trabalho, a precariedade que afecta sobretudo a vida das mulheres», assim como a impossibilidade de «serem mães e poderem optar por o ser», de «exercerem os direitos que estão consagrados ao nível da maternidade e da paternidade», afirmou Sandra Benfica, adiantando que «o congelamento e a impossibilidade da progressão das carreiras» é «um dos factores fundamentais da desigualdade salarial entre homens e mulheres».

Violências gritantes
A dirigente do MDM acusou o Estado de não ter «uma rede de apoio às mulheres vítimas de violência», quando existe «legislação e um número muito elevado de participação de queixas de violência em contexto de intimidade». As críticas estendem-se à promoção da «prostituição como uma profissão para as mulheres». «Continuamos a ser um País de origem, de trânsito e de destino de mulheres e crianças traficadas pela exploração sexual», denunciou.

Porque «os problemas mais urgentes da vida das mulheres estão por resolver», Sandra Benfica apelou à participação das mulheres na manifestação de 10 de Março.

Emancipação das mulheres
A este respeito, Isabel Cruz, também da DN do MDM, frisou que é «imprescindível» assinalar do Dia Internacional da Mulher, sinónimo de luta pela emancipação das mulheres, e recordou que, no nosso País, a data, apesar de proibida pelo fascismo, começou a ser celebrada em 1953, como o Avante! noticiou na altura.

«As mulheres, envolvidas e organizadas, com um perigoso trabalho, conseguiram, muitos anos depois da proclamação do Dia Internacional (1910, por proposta de Clara Zetkin), que não foi sempre a 8 de Março, comemorar este dia como uma jornada de luta e reivindicação», evocou. «É pela luta que as pessoas adquirem e elevam a sua consciência política», como se testemunhou no recente caso da Triumph International, valorizou.

50 anos em exposição na Biblioteca Nacional 

Até ao dia 19 de Maio, está patente na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, a exposição «50 anos em movimento. Mulheres fazendo história». A mostra, constituída por documentos do arquivo da organização, espelha os grandes momentos históricos que o País e o mundo atravessaram.

Como salientou Sandra Benfica, nestas últimas cinco décadas «não há reivindicação, luta, conquista de direitos que não tenha tido uma proposta» do MDM, movimento que é «pioneiro», por exemplo, na denúncia, nos anos 80 do século passado, do «assédio sexual no local de trabalho» ou «nas questões da violência doméstica, da prostituição, da valorização do trabalho da mulher em todas as suas vertentes, na conquista dos direitos sociais, políticos, no fundo na valorização do papel e do estatuto social da mulher».

«Esta exposição serve para celebrar o passado», quando «continuamos a ter um movimento que é relevante no presente», valorizou a dirigente, perpectivando que nas «próximas décadas» o MDM terá «mulheres que vão continuar a fazer história».




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