Marcha Patriótica da Colômbia realiza II Congresso

Sob o lema «Abrindo caminhos para um Governo Democrático, para a Paz e a Reconciliação», realizou-se em Bogotá, de 16 a 18 de Fevereiro, o II Conselho Patriótico Nacional do Movimento Político e Social Marcha Patriótica (MP).

Fundada em 2012, a MP representa uma grande diversidade de organizações populares e sociais colombianas, incluindo do movimento sindical, camponês, dos indígenas, mulheres, juventude e defesa dos direitos humanos, contando também com a participação de diversas forças políticas da Colômbia, como a Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC) e o Partido Comunista Colombiano (PCC).

Reunidos nesta reunião magna da Marcha Patriótica, os mais de 200 delegados, oriundos da maioria dos 33 distritos do país, discutiram o balanço dos primeiros cinco anos de actividade e as principais tarefas, perfil e estrutura organizativa e de direcção da MP.

Das decisões aprovadas, destaca-se a alteração do carácter da Marcha Patriótica de «movimento político e social» para «coordenadora de organizações sociais e populares», com o foco centrado na organização e coordenação das organizações de base a nível local, regional e sectorial, e uma ampla perspectiva democrática, patriótica e popular tendo em vista o objectivo de realização de um processo Constituinte no país. Foi aprovado um novo figurino de direcção e eleito um Comité Operativo Nacional, órgão máximo executivo da MP, integrado por nove membros, que funcionará transitoriamente por um período de seis meses, até à definição final da estrutura directiva.

Os participantes sublinharam a importância de assegurar a convergência democrática e a unidade das forças revolucionárias, patrióticas e anti-imperialistas colombianas, num contexto de grandes dificuldades e desafios no plano interno e na presente conjuntura de ofensiva do imperialismo e das oligarquias na América Latina.

Compromisso real pela paz

Em ano de eleições legislativas (11 de Março) e presidenciais (27 Maio), a Colômbia vive um momento particularmente crítico, marcado pelo incumprimento do governo colombiano do Acordo de paz que firmou, em Havana, com as FARC-EP, e a onda de repressão e assassinatos, que só em em 2018 ceifou já a vida a dezenas de dirigentes políticos e sociais e ex-guerrilheiros das FARC-EP.

A reunião contou com a breve participação, durante a sessão de encerramento, de Rodrigo Londoño (mais conhecido como Comandante «Timochenko»), líder e candidato presidencial do partido FARC, que numa curta mas emotiva intervenção fez um apelo a um compromisso real pela paz na Colômbia, exigindo o fim da violência política e a implementação de garantias efectivas para o exercício da participação política.

As forças políticas da América Latina e Europa presentes no conclave da Marcha Patriótica subscreveram uma declaração de repúdio aos ataques contra o processo de Paz na Colômbia e solidariedade com o povo colombiano.

O PCP esteve representado em Bogotá por Luís Carapinha, da Secção Internacional. Intervindo no painel internacional realizado na sessão de encerramento da iniciativa, o representante do Partido saudou a realização do II Conselho Nacional da MP e reafirmou a solidariedade dos comunistas portugueses com a luta do povo, dos comunistas, democratas e patriotas colombianos, salientando que «a paz justa na Colômbia torna-se ainda mais necessária e urgente no actual contexto adverso para as forças do progresso social na América Latina». A intervenção, entre outros aspectos, reitera ainda a solidariedade do PCP «com os trabalhadores e os povos em luta da América Latina e Caraíbas, com Cuba socialista e a sua revolução e os processos populares e libertadores, como na Venezuela, Bolívia, Nicarágua (…) que nas difíceis e complexas condições da presente ofensiva resistem e lutam pelos seus legítimos direitos».

 



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