Travada eliminação das desigualdades entre os trabalhadores sob gestão da EPAL

CONTRATAÇÃO COLECTIVA Foi inviabilizado na AR o diploma do PCP que visava aplicar o Acordo de Empresa da EPAL aos trabalhadores de outras entidades sob gestão desta, eliminando desigualdades actuais.

Há que garantir o direito à contratação colectiva

Sujeito a debate faz hoje uma semana e votado no dia seguinte, 23, o projecto-lei teve os votos contra de PS, PSD e CDS-PP, contando com os votos favoráveis das restantes bancadas.

Com esta iniciativa legislativa a bancada comunista propunha-se alargar as condições laborais estabelecidas naquele Acordo de Empresa, em regra mais favoráveis do que a aplicação da lei geral, «com as valorizações remuneratórias a que tenham direito», a todos os trabalhadores provenientes das entidades que passaram a fazer parte da EPAL, após a criação de um novo sistema intermunicipal e da criação da empresa Águas de Lisboa e Vale do Tejo.

Em causa está, pois, a situação de desigualdade criada pelo facto de não terem sido acautelados os direitos dos trabalhadores aquando da reestruturação do sector das águas imposta pelo anterior governo PSD e CDS-PP.

«À EPAL foi atribuída a gestão do sistema e assumiu a posição contratual nos contratos de trabalho e acordos de cedência de pessoal, abrangendo os seus trabalhadores e os cerca de 900 trabalhadores de outras entidades, incluindo os das empresas já autonomizadas, nomeadamente os da Simarsul e da Sociedade Águas do Tejo Atlântico», lembrou a deputada comunista Paula Santos, concluindo que «não faz sentido que o Acordo de Empresa da EPAL não seja aplicado a todos os trabalhadores, cuja gestão e posição contratual foi assumida por esta.

«Não podemos aceitar que haja situações em que trabalhadores com as mesmas funções e responsabilidades tenham, uns, subsídio de refeição de 4,77 euros e outros tenham valores de seis e sete euros, ou que uns tenham subsídio de transporte e outros não», sublinhou a parlamentar do PCP, dando exemplos das desigualdades que existem e que têm expressão ainda em domínios como o salarial, o horário de trabalho ou os dias de férias.

Património de luta

Eurídice Pereira (PS), procurando justificar a opção de voto do PS, invocou as negociações entre a administração da EPAL e os representantes dos trabalhadores para considerar «prudente que não existam decisões legislativas que amputem os acordos que estão a ser construídos». E depois de afirmar que «isso beneficia os trabalhadores», disse que o «PS não concorda com a parlamentarização das relações laborais».

Por seu lado, o PSD, pela voz de Susana Lamas, apresentou-se como «defensor da autonomia do poder local e da livre negociação colectiva», acusando ainda o PCP de «querer sobrepor-se às partes envolvidas no processo negocial em curso».

«É lamentável que PSD venha falar de autonomia do poder local democrático quando foi o próprio que, quando governou, não só privatizou a EGF contra a vontade das autarquias como impôs um processo de reestruturação nas águas também contra a vontade destas», contrapôs Paula Santos, não deixando passar em branco o despautério da deputada laranja.

E sobre a questão de fundo em debate – o direito à contratação colectiva –, depois de fazer notar que o PCP tem como nenhum outro um património de luta em defesa da contratação colectiva e dos direitos dos trabalhadores, a parlamentar comunista esclareceu não estar em causa uma qualquer ingerência na negociação colectiva mas sim a «desigualdade entre trabalhadores da mesma empresa, que estão lado a lado, que têm as mesmas funções».

Foi a correcção dessas desigualdades que agora foi travada, com o PS na hora do voto a convergir não para o lado dos trabalhadores e da defesa da contratação colectiva mas para o lado do PSD e do CDS, partidos que ao longo destes anos todos tudo têm feito pela «caducidade da contratação colectiva e por retirar direitos aos trabalhadores».




Mais artigos de: Assembleia da República

Abertura de concurso para médicos recém-especialistas

O ministro da Saúde anunciou na passada sexta-feira, 23, na AR, que seria publicado ainda durante a semana em curso o despacho com a abertura do concurso para a colocação dos médicos recém-especialistas nos hospitais. Esta era uma exigência que...

Protecção civil em audição do PCP

Portugal precisa de uma nova política de protecção civil, que aposte de forma efectiva na prevenção dos riscos colectivos, na resposta aos eventos extremos, na formação da população, na qualificação e valorização dos agentes. Na...