Batalha campal nas Honduras

A tomada de posse do presidente hondurenho, sábado, 27, ficou marcada por uma repressão brutal dos manifestantes que contestavam Juan Orlando Hernández, que acabou reconduzido no poder em resultado de um processo fraudulento, a começar pelo facto de a Constituição do país proibir a renovação do mandato e a terminar num sufrágio, realizado no final de Novembro do ano passado, de tal forma pejado de ilegalidades que nem a Organização de Estados Americanos se atreveu a reconhecê-lo.

No interior do estado nacional, em Tegucigalpa, Juan Orlando Hernández rodeou-se dos seus apoiantes e correligionários (os deputados da oposição não estiveram presentes em protesto), de altas patentes militares e policiais. Nenhum chefe de Estado ou de governo compareceu à cerimónia, facto de que não há memória na história recente na América Central. Foram escassos os representantes diplomáticos que participaram.

Na cidade, um dispositivo policial inédito recorreu a gás lacrimogéneo para dispersar a multidão que procurava acercar-se da sessão. Relatos de órgãos de comunicação social latino-americanos indicam que a nuvem tóxica cobriu a capital forçando os manifestantes a recuar. Ainda assim, grupos de jovens enfrentaram a polícia e o cenário que se viveu em Tegucigalpa foi o de uma autêntica batalha campal que durou várias horas, referem as mesmas fontes.

Na sexta-feira, 26, o candidato da Aliança da Oposição à Ditadura e vencedor de facto das presidenciais, Salvador Nasralla, e o principal dirigente da plataforma, o ex-presidente Manuel Zelaya, deposto em 2009 por um golpe de Estado, lideraram uma «caravana da vitória» que decorreu sem incidentes de relevo. O objectivo foi chamar a atenção para a ilegitimidade de Juan Orlando Hernández e apelar ao povo para que não desista de lutar pela democracia.




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