Palestinianos intensificam resistência a embaixada dos EUA em Jerusalém

PALESTINA A Al Fatah apelou à intensificação da resistência contra o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel depois de o vice-presidente dos EUA ter confirmado a abertura da embaixada norte-americana em 2019 na cidade.

Os EUA perderam imparcialidade na mediação do conflito

O mais numeroso e influente entre os movimentos de resistência palestinianos convocou para anteontem, 23, uma greve geral na Cisjordânia como primeiro acto da nova vaga do levantamento popular pacífico desencadeado com o anúncio da transferência da representação diplomática dos EUA de Telavive para Jerusalém, o que pressupõe o reconhecimento desta última como capital do Estado de Israel.

Em notícias publicadas durante o passado fim-de-semana, meios de comunicação social norte-americanos revelaram que a administração Trump se preparava para antecipar para 2019 a mudança da embaixada, o que foi confirmado, segunda-feira, 22, pelo vice-presidente norte-americano em discurso realizado no parlamento israelita.

«Jerusalém é a capital de Israel. Por isso, o presidente Trump deu instruções ao Departamento de Estado para iniciar imediatamente os preparativos para mudar a embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém (…). A embaixada dos Estados Unidos abrirá antes do fim do próximo ano», disse Mike Pence, já depois de vários deputados árabes-israelitas terem sido expulsos do hemiciclo por terem protestado assim que o governante dos EUA foi chamado para intervir.

O governante norte-americano deixou, ainda, palavras ameaçadoras para os movimentos palestinianos, que se recusam a voltar à mesa das negociações considerando que os EUA perderam imparcialidade na mediação do conflito. No apelo, os dirigentes da Fatah sublinharam que vão continuar a lutar contra a ocupação israelita e pelos direitos nacionais da Palestina.

Castigo

De resto, a Casa Branca está já a concretizar as ameaças de punição dos palestinianos deixadas por Mike Pence e, no final do ano passado, verbalizadas pela representante de Washington na ONU aquando da votação de uma resolução que condenou a transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém.

Na semana passada, o Departamento de Estado anunciou a suspensão de 110 milhões de dólares (cerca de 98 milhões de euros) para a Agência das Nações Unidas de Assistência para Refugiados Palestinianos. Os EUA asseguravam até agora cerca de 30 por cento do orçamento anual da UNWRA, estrutura que estima em 500 milhões de dólares (quase 410 milhões de euros) o montante necessário para manter em 2018 os programas em vigor, incluindo a ajuda alimentar, da qual depende a esmagadora maioria da população residente na Faixa de Gaza, por exemplo.

Desde que Donald Trump anunciou o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e a mudança da representação diplomática dos EUA para a cidade, a repressão dos protestos por parte dos ocupantes sionistas na Cisjordânia e Jerusalém Leste, sobretudo, mas também na Faixa de Gaza, já provocou a morte a 31 palestinianos, o último dos quais um jovem de 22 baleado na quinta-feira, 18. A repressão deixou também cerca de sete mil feridos e mais de mil detidos, informou o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana e líder da Fatah Mahmud Abbas.




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