Um racista na Casa Branca

Carlos Lopes Pereira

O presidente norte-americano é racista?

Vários media dos EUA colocaram a questão, no momento em que o país celebrava o Dia de Martin Luther King, ícone da luta pelos direitos civis dos afro-americanos, assassinado há meio século.

O próprio Donald Trump entendeu declarar que não é racista, reagindo a relatos de que se tinha referido ao Haiti e a países africanos como «países de merda», numa reunião com congressistas, na Casa Branca, sobre imigração.

A revista New Yorker publicou um artigo intitulado «Um racista na Sala Oval». O apresentador Anderson Cooper, da CNN, opinou que «o sentimento que o presidente expressou é um sentimento racista». O New York Times evocou uma longa lista de gestos discriminatórios de Trump, desde os anos 70, quando foi processado por «evitar» alugar imóveis a afro-americanos, até Agosto de 2017, quando colocou no mesmo plano supremacistas brancos que marchavam em Charlottesville, na Virgínia, e manifestantes que protestavam contra a presença desses extremistas na sua cidade.

Diferentes personalidades norte-americanas pronunciaram-se contra os dizeres racistas de Trump.

O senador Bernie Sanders, que foi candidato à presidência dos EUA, pediu aos legisladores republicanos que repudiem tais «divagações racistas».

O congressista John Lewis, afro-americano, considerou que o racismo «deve fazer parte do DNA» de Trump e que é «assustador ter alguém no gabinete do presidente em 2018 a falar do modo como ele fala».

A representante democrata da Califórnia, Maxine Waters, anunciou que vai boicotar o discurso de Trump sobre o estado da União, devido aos seus comentários «vulgares e racistas».

Lebron James, estrela da NBA, acusou o presidente de fomentar divisões raciais nos Estados Unidos. «Não podemos permitir que [o racismo] nos divida. A pessoa que está no comando deu aos racistas uma oportunidade para se revelarem e falarem sem medo», disse o popular basquetebolista.

Fora dos Estados Unidos, o repúdio pelas posições de Trump é de igual modo enorme.

Em Inglaterra, um membro do parlamento, David Lammy, acusou-o de ser «racista» e de ter «membros do Ku Klux Klan na sua equipa de colaboradores». O parlamentar trabalhista prometeu «protestar nas ruas» se o presidente dos EUA visitar o seu país.

Também o mayor de Londres, Sadiq Khan, se pronunciou contra uma visita oficial de Donald Trump à Grã-Bretanha, pela sua retórica racista, juntando-se às centenas de milhares de britânicos que, desde o ano passado, assinaram uma petição on-line pedindo ao parlamento que retire o convite feito por Theresa May.

Por todo o mundo, instituições como a União Africana, a Organização Internacional da Francofonia ou a Comunidade do Caribe, governos de países como Cuba, África do Sul, Botswana, Haiti ou El Salvador, figuras como os presidentes Macky Sall, do Senegal, Nan Akufo-Addo, do Gana, ou Evo Morales, da Bolívia, ou como o antigo campeão mundial de atletismo Bernard Lagat, queniano naturalizado norte-americano, são unânimes na condenação das afirmações «inaceitáveis» e «racistas» do presidente dos EUA.




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