A «próxima etapa»
O documento que a administração dos CTT submeteu à CMVM nas vésperas da greve teve traços de provocação. Com o título «Lançamento da próxima etapa de crescimento e eficiência operacional dos CTT», o grande capital revelou de forma clara que o único «crescimento» que quer é o dos seus lucros.
Estamos perante as consequências da criminosa privatização consumada pelo governo PSD/CDS, após um percurso de anos que contou também com a cumplicidade e a iniciativa do PS. E corre a grande velocidade a estratégia que o grande capital concretiza desde o primeiro dia: espremer os CTT até ao último cêntimo, sugar milhares de milhões de euros de lucros, até que não sobre nada.
Invocam neste documento as quebras na circulação do correio postal para justificar o despedimento de mil trabalhadores, a venda de património (acabaram de vender a histórica sede por 25 M€), o encerramento de balcões e «lojas». Para além de uma aposta no Banco, claro! Banco que os CTT públicos nunca tiveram.
Querem um salto qualitativo no saque à empresa e aos trabalhadores, quando já hoje o serviço público é uma sombra do que foi. O correio chega cada vez a menos pessoas, cada vez mais tarde e cada vez mais caro. E o problema não está no correio electrónico, que a empresa aliás nunca «quis» desenvolver. Nem no número de trabalhadores, que são muito menos dos que seriam necessários. O problema dos CTT está na incompatibilidade entre o papel estratégico do serviço público que presta e o objectivo único dos grupos económicos: os seus lucros. Perante isto, o assobiar para o lado do Governo PS só facilita o capital.
E não basta o resgate da concessão do serviço público, como diz o BE. Pois se os accionistas podem prescindir da concessão (despedem trabalhadores, ou não?!), já o Estado não pode prescindir da empresa para garantir o serviço público.
É preciso recuperar o controlo público dos CTT, impedir a sua destruição, colocar os correios ao serviço do povo e do País. Essa é que deve ser a «próxima etapa»!