Jerusalém

Ângelo Alves

A administração norte-americana decidiu transferir a sua embaixada em Israel da cidade de Telavive para Jerusalém. É difícil encontrar uma provocação maior do que esta, quando se fala do Médio Oriente, da realidade e da história daquela região. Trata-se de uma decisão de enorme gravidade e de uma irresponsabilidade imensurável. Estamos a falar da cidade símbolo não só para o povo palestiniano – Jerusalém é a capital histórica da Palestina – mas para os povos árabes da região e para as várias religiões que ali se professam.

Esta decisão é uma autêntica bomba atómica diplomática na já de si explosiva situação no Médio Oriente. Os EUA tornam-se o primeiro país do Mundo a reconhecer Jerusalém como capital de Israel, violando inúmeras resoluções da ONU que consideram a anexação de Jerusalém por Israel como ilegal e que conferem aquela cidade um estatuto especial no complexo processo negocial da questão palestiniana. Mas mais, a extremamente perigosa decisão da administração Trump viola inclusive os Acordos de Oslo (forjados pelos EUA) que apesar de obrigarem o povo palestiniano a dolorosas concessões em troca de paz, nunca se atreveram a colocar em causa o direito do povo palestiniano de ter a sua capital na parte Leste da cidade de Jerusalém.

Uma provocação de tão grande dimensão é impossível de ser lida apenas no quadro da questão palestiniana. As reacções da Jordânia e da Turquia são um sinal claro das consequências que esta decisão poderá ter. E se a esta decisão somarmos o que se está a passar na Arábia Saudita e no Líbano; a intensificação da agressão ao Iémene; a retórica agressiva de Israel contra o Irão; os bombardeamentos e provocações de Israel nos últimos dias em território sírio, então a conclusão torna-se mais clara: os EUA, perante a derrota na Síria, estão a tentar incendiar ao máximo a situação na região e a forçar um conflito que se estalar não se limitará à região, incendiará o Mundo.




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