Agricultura sem futuro com a nova reforma da PAC
PRODUTIVIDADE As «soluções» apresentadas, dia 29 de Novembro, pela Comissão Europeia (CE) sobre o futuro da Política Agrícola Comum (PAC) não respondem às necessidades e anseios dos agricultores e das zonas rurais.
A agricultura e o mundo rural enfrentam grandes dificuldades
Num documento com 26 páginas sobre a nova reforma da PAC, a CE faz referência a uma «série de dificuldades e questões que o mundo rural enfrenta», uma análise que, infelizmente, continua a estar direccionada para «os sintomas do problema» e esquiva-se, na sua maioria, «a ir até à raiz da crise».
A crítica é feita pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a Coordenadora Europeia Via Campesina (CEVC), que, em nota de imprensa divulgada quinta-feira, 30, realçam um conjunto de temas que na sua opinião merecem «especial atenção».
Relativamente à «gestão de riscos derivados do mercado – volatilidade de preços», a CNA e a CEVC contestam que a CE continue «a promover os seguros ao rendimento como solução para as crises dos mercados que continuam a atingir os agricultores». «A volatilidade é o resultado da destruição dos instrumentos de regulação do mercado e da produção. É aí que reside o problema e a solução», sublinham no documento.
As «ajudas directas da PAC e a sua distribuição» de acordo com a área mereceram, de igual forma, o oposição das organizações, assim como a promoção da bio-economia. «É graças a uma actividade agrícola diversificada, destinada à alimentação, de proximidade e presente no território, que o objectivo do desenvolvimento rural poderá ser alcançado», defendem.
A CNA e a CEVC valorizam o facto de «o rejuvenescimento geracional estar entre as prioridades da nova reforma» da PAC e de se continuar a falar de «saúde, nutrição e sustentabilidade», mesmo sem que se tenha definido «os modelos agrícolas alimentares e comerciais capazes de garantir a produção de alimentos saudáveis, nutritivos, saborosos, ambientalmente sustentáveis, que assegurem o bem-estar animal, contribuam para a luta contra as alterações climáticas e gerem emprego e vida no mundo rural».