Mais de 33 mil morreram no Mediterrâneo

MIGRANTES Quase 34 mil pessoas morreram ao tentarem a travessia do mar Mediterrâneo para alcançar a costa europeia, entre o 2000 e Junho deste ano, segundo um relatório da OIM.

Fronteira Sul da UE é uma das mais mortíferas do Mundo

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O relatório da Organização Internacional das Migrações (OIM), divulgado dia 24, mostra que a fronteira Sul da Europa é das mais mortíferas do mundo.

A partir de dados coligidos desde 1970, a OMI calcula que 2,5 milhões de migrantes atravessaram o Mediterrâneo de forma clandestina até ao presente, dos quais 33 761 pereceram entre 2000 e o passado mês de Junho.

A Organização admite que o número real de vítimas seja superior, dado que os registos existentes não reflectem a totalidade do problema.

O maior número de mortes verificou-se em 2016, ano em 5096 pessoas perderam a vida na travessia, precisamente na rota mais curta e menos perigosa, que liga a Turquia à Grécia, período que coincidiu com o êxodo massivo de refugiados sírios.

O relatório conclui que «as chegadas irregulares têm aumentado à medida que foram adoptadas políticas [de imigração] mais restritivas».

Um dos exemplos é a rota ocidental, que une o Magrebe e a África Ocidental a Espanha, na qual as várias vagas de migrações foram sendo controladas com medidas repressivas.

Porém, se em 1999 foram registadas cinco mil chegadas a Espanha a partir de Marrocos, em 2003 eram já 20 mil os que chegaram por esta rota.

O reforço da acção policial e novas leis de vigilância, tanto em Espanha como em Marrocos, fizeram com que fosse criada uma nova rota, inicialmente a partir da Mauritânia e depois a partir do Senegal, com destino às ilhas Canárias.

Entre 2006 e 2008, chegaram assim a território espanhol 50 mil imigrantes. Este fluxo foi novamente interrompido com medidas suplementares aplicadas tanto na origem como no destino.

Actualmente, os fluxos migratórios tendem a concentrar-se em território líbio, país desestabilizado na sequência da intervenção estrangeira contra o antigo líder Muammar Khadafi, assassinado em 2011.

Greve em Lesbos

Na ilha de Lesbos realizou-se, dia 20, uma greve geral para exigir a transferência para a Grécia continental de milhares de refugiados que desde há meses se concentram no seu território na sequência do pacto União Europeia-Turquia.

Os serviços públicos e numerosos estabelecimentos comerciais fecharam as portas, enquanto centenas de pessoas se manifestaram em Mitilene, a principal cidade da ilha do Mar Egeu, Mediterrâneo oriental.

A acção, impulsionada pelo presidente do município local, Spyros Galinos, foi apoiada pelas principais organizações profissionais e sindicatos da ilha, onde se encontram cerca de 8500 refugiados e migrantes para uma população de 32 mil habitantes.

No campo de Moria, onde se concentram cerca de sete mil refugiados para uma lotação de 2350 lugares, os migrantes também se manifestaram sob a palavra de ordem «Abram as fronteiras».

O município exige que o número de migrantes não ultrapasse os quatro mil disponíveis, entre Moria e outras instalações.




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