Apoios às vítimas dos incêndios devem ser mais do que anúncios

PROPOSTAS O PCP assinalou a passagem de um mês sobre os violentos incêndios de 15 de Outubro com uma conferência de imprensa em que exigiu medidas efectivas e céleres de apoio às vítimas e à recuperação do potencial produtivo.

A floresta e o mundo rural precisam de meios e vontade política

LUSA

Image 23996


Na declaração proferida na tarde de quarta-feira, 15, João Frazão, da Comissão Política, voltou a insistir na necessidade de o Governo estender a todos os concelhos afectados pelos incêndios a Lei de Apoio às Vítimas, aprovada na Assembleia da República com base numa iniciativa do PCP e promulgada na semana passada pelo Presidente da República. Esta questão torna-se ainda mais urgente quando, no terreno, permanecem gritantes atrasos e confusões no apoio às populações afectadas.

Se ao nível da alimentação, vestuário e alimentação de gados e outros animais as respostas superaram as expectativas, na maioria do casos, no que respeita às habitações «há ainda um número reduzido de obras no terreno e todos os que perderam as suas casas, mesmo as de primeira habitação, continuam sem solução». Para o PCP, a reposição das habitações é um elemento essencial para a estabilização da vida dos afectados pelos fogos, pelo que se impõe a adopção de «medidas excepcionais».

Destacando os sucessivos anúncios do Governo e de outras entidades relativos aos apoios disponíveis e à forma de lhes aceder, o dirigente comunista alertou ainda para as discrepâncias existentes entre sectores no acesso a esses mesmos apoios. Estes, realçou, são diferentes dos que foram atribuídos por ocasião do incêndio de Pedrógão Grande e do Conselho de Ministros Extraordinário e os que são atribuídos a empresas não agrícolas diferem dos que se dirigem à agricultura. No caso da agricultura, João Frazão garante que esses apoios não correspondem à realidades concreta existente no terreno.

Desburocratizar,
clarificar e concretizar

Uma primeira crítica do PCP à acção do Governo passa pelo elevado nível de burocracia exigido a quem queira beneficiar das ajudas, patente desde logo na obrigatoriedade de apresentação de projectos para apoios superiores a 1053 euros, sem o apoio adequado das estruturas do Ministério da Agricultura, totalmente esvaziadas de capacidade de realização de serviços de extensão rural pela redução de funcionários, e nos baixos montantes apoiados a 100 por cento.

Referindo-se aos apoios já anunciados, João Frazão releva o facto de não estarem previstas ajudas à perda permanente de rendimentos, o que colocará muitas dificuldades a milhares de agricultores. No caso da perda de culturas permanentes, como a vinha e o olival, «não basta apoiar a reposição do potencial produtivo, é necessário compensar os produtores pela ausência de rendimentos durante vários anos», sustenta o dirigente comunista. O mesmo se passa, acrescenta, com os produtores de ovinos.

O PCP bate-se ainda pela equidade na distribuição dos apoios, manifestando estranheza pelo facto de algumas das ajudas prestadas se dirigirem apenas a determinadas organizações agrícolas, ou distribuídos através delas. A apicultura é o exemplo mais gritante.

Não deixando de reafirmar o papel da política de «Estado mínimo» (promovida por sucessivos governos do PS, PSD e CDS) na dimensão assumida pelos incêndios deste ano, João Frazão voltou a sublinhar a convicção do PCP de que o que falta não é nova legislação, mas sim meios, vontade e determinação para assegurar outra política para a floresta e o mundo rural. O PCP entregou, no dia seguinte a esta declaração, um conjunto de propostas de alteração ao Orçamento do Estado que visam precisamente dar corpo a essa nova política.




Mais artigos de: PCP

Situação nos media é ameaça aos direitos e à democracia

O PCP reagiu, em nota do seu Gabinete de Imprensa emitido no dia 13, ao encerramento do grupo editorial Motorpress Portugal, que deixou quase 60 trabalhadores no desemprego. Este grupo, que no País incluía seis publicações regulares – entre as quais as revistas Pais & Filhos,...

Acções de formação ideológica na Suíça

O PCP promoveu nos dias 11 e 12, nas cidades suíças de Zurique e Thun, duas acções de formação política e ideológica em que participou o membro da Comissão Política e director do Avante! Manuel Rodrigues. Essas acções envolveram ao todo...

Já não se luta?

A propósito da manifestação promovida pela CGTP-IN no passado sábado, como aconteceu com a luta dos trabalhadores da Autoeuropa, os media dominantes construíram narrativas recorrentes, ainda que contraditórias: ora já não há greves nem...