Origem social determina sucesso escolar
MONITOR A Comissão Europeia reconheceu num relatório que o nível de escolaridade atingido pelos alunos depende «em grande parte» das suas origens socioeconómicas.
Sistema de ensino perpetua desigualdades sociais
Na edição de 2017 do «Monitor da Educação e da Formação da Comissão Europeia», publicada dia 9, Bruxelas admite que apesar de os estados-membros estarem a realizar progressos na reforma e modernização da Educação é necessário mais esforços para alcançar a equidade no ensino.
Os dados coligidos mostram que as habilitações literárias são um factor importante para o êxito em termos sociais e que as pessoas que completaram apenas o Ensino Básico têm quase três vezes mais probabilidades de viver em situação de pobreza ou de exclusão social do que as pessoas com o Ensino Superior.
Em 2016, segundo o monitor, apenas 44 por cento dos jovens dos 18 aos 24 anos que tinham concluído o terceiro ciclo do Ensino Básico estavam empregados.
Na população entre os 15 e 64 anos a taxa de desemprego é muito mais elevada entre as pessoas que só completaram o Ensino Básico (16,6%) do que entre aqueles que concluíram o Ensino Superior (5,1%).
O estudo constata ainda que o estatuto socioecónomico é determinante para o sucesso escolar, verificando-se que 33,8 por cento dos estudantes oriundos dos estratos sociais mais desfavorecidos têm fraco aproveitamento. Em contrapartida, o insucesso escolar só atinge 7,6 por cento dos estudantes provenientes de camadas mais abastadas.
Particularmente vulneráveis são os jovens nascidos fora da União Europeia, uma vez que estão frequentemente expostos a vários riscos e desvantagens, como o facto de os seus pais terem poucas qualificações, de não falarem a língua local em casa, de terem acesso a um menor número de recursos culturais e de sofrerem de isolamento e de fracas redes sociais no país de imigração. Neste grupo da população há maior risco de maus resultados escolares e de abandono escolar precoce.
Estas desigualdades «são uma ameaça à coesão social, ao crescimento económico e à prosperidade», afirma em comunicado o comissário responsável pela Educação, Cultura, Juventude e Desporto, Tibor Navracsics.
O responsável acrescenta ainda que é «frequente os nossos sistemas de ensino perpetuarem as desigualdades», por não se adequarem às necessidades das «pessoas dos meios socioeconómicos mais desfavorecidos», gerando pobreza e oportunidades reduzidas no mercado de trabalho, situação que se transmite de «uma geração para a seguinte», afirmou Navracsics, salientando o papel dos sistemas de ensino «na construção de uma sociedade mais justa».