Uma grande afirmação de unidade
Acção comum não apagou nem apaga as muitas e diversas lutas
No passado dia 12 de Outubro teve lugar, promovida pela respectiva Comissão Coordenadora, uma grande manifestação dos profissionais das forças e serviços de segurança. Uma jornada de grande afirmação de unidade, com todas estruturas presentes, e que contou com muitos milhares de profissionais. A grandeza da iniciativa torna indesmentível a profundidade dos problemas que assolam estes profissionais, como torna indesmentível a sua vontade de lutar e exigir a resolução daquilo que os lesa e que, ano após ano, governo após governo, é «empurrado com a barriga» sempre sob a capa de discursos e declarações de grande apreço pelas missões e serviços que desempenham.
Já em artigo passado se tinha feito referência àquilo que se denominou por «gestão de expectativas», ou seja, a discrepância entre as palavras e os actos, adiantando nessa altura que os profissionais querem actos e aceitam compromissos, desde que sejam para respeitar e não para ludibriar, como tem acontecido ao longo do tempo, e que esses compromissos fiquem acordadamente expressos.
Como ficou patente na jornada de 12 de Outubro, o desbloqueamento de carreiras, as progressões horizontais nos escalões, a consagração do risco da profissão, o cumprimento dos estatutos profissionais, o reforço de efectivos, os problemas da pré- aposentação e reforma foram, entre outros, os aspectos fundamentais de âmbito comum às diversas forças e serviços de segurança.
Entretanto, os Guardas Prisionais têm vindo a desenvolver lutas sectoriais por respostas que dêem corpo efectivo ao seu estatuto. O mesmo tem vindo a suceder com o SEF, hoje com um novo director nacional e, com um outro âmbito, a ASAE. Simultaneamente, na Assembleia da República subiu a discussão a Petição da ASPP, com mais de 10 mil assinaturas, pela consagração da profissão como de desgaste rápido e, nesse mesmo dia, foi discutido o Projecto-Lei do PCP sobre Condição Policial, cujo objectivo foi/é consagrar no concreto o que significa tal expressão do ponto de vista dos deveres e direitos para os respectivos profissionais. A Condição Policial não pode ser uma coisa em abstrato, uma mera expressão semântica. O projecto do PCP foi aprovado (desceu à comissão respectiva) somente com os votos contra do PS.
Diversas lutas
Verifica-se pois que a acção comum realizada não apagou nem apaga as muitas e diversas lutas e iniciativas que em cada força e serviço se desenrolam, umas maiores outras mais pequenas, com naturezas muito diversas, mas luta e acção que visa a dignificação da sua profissão e da sua situação como profissionais/trabalhadores. Porque a realidade é que a situação se vai deteriorando por falta de efectivos, pelo seu envelhecimento, pela não ascensão a postos e funções a que há muito deveriam ter ascendido, pela não progressão remuneratória, pela falta de meios, pela sobrecarga de serviço (tomemos como exemplo e imaginemos o que tem sido, incluindo do ponto de vista psicológico, para os escassos profissionais da GNR nos concelhos afectados pelos fogos) a que se junta, nalguns casos, atitudes prepotentes e repressivas das hierarquias preocupadas em mostrar serviço, mas pouco preocupadas com as condições efectivas para o desempenho das missões por parte dos seus comandados.
Muitas notícias saídas na altura da manifestação deram mais importância ao inusitado dispositivo de segurança montado do que propriamente à grandeza e conteúdo das reivindicações. Esperemos que quem de direito não faça o mesmo. Até porque, como foi justamente afirmado pelos respectivos dirigentes, não vão baixar os braços. E é óbvio que o adiamento sucessivo de medidas ou a frustração por promessas feitas quanto a horizontes temporais para a resolução de problemas tem vindo a gerar o estreitamento da margem de tolerância.
Pela parte que nos diz respeito, o PCP continuará a sua acção e intervenção por umas forças e serviços de segurança que cumpram a legalidade democrática, cumpram e respeitem a Constituição da República, batendo-se simultaneamente para que o façam garantindo a dignificação e valorização dos seus estatutos sociais, profissionais e materiais, condições que melhor suportam a concretização do direito à tranquilidade e segurança das populações.