Pressões, discriminações e mentira
Vítor Silva, coordenador regional do PCP nos Açores denunciou no passado domingo a existência de «pressões sobre candidatos da CDU» por parte de entidades patronais públicas regionais, nas últimas eleições autárquicas.
Houve casos de candidatos que aceitaram integrar as listas da CDU mas que no último dia antes da apresentação da candidatura desistiram alegando que tinham conversado com a entidade patronal e esta «tinha chamado a atenção que isso podia ter resultados que não iriam ser muito benéficos do ponto de vista profissional». Depois do acto eleitoral, alguns candidatos da CDU que prestavam serviço em juntas de freguesia foram informados de que iriam deixar de prestar esse serviço. Trata-se, aliás, de uma prática do Governo regional do PS que já se havia verificado nas últimas eleições legislativas.
Nos Açores, a CDU obteve um vereador, seis eleitos em assembleias municipais e três em assembleias de freguesia, ou seja, mais um eleito (o vereador) do que em 2013. Pergunta-se: quantos mais candidatos e eleitos poderia ter conseguido a CDU se, em vez deste clima de intimidação e medo, a todos fosse possível o livre exercício democrático, que inclui o direito e o dever de participação?
E a nível nacional, que resultado teria obtido a CDU se a sua mensagem, os seus candidatos, o seu projecto e programas, a sua obra tivessem tido o mesmo tratamento pelos órgãos de comunicação social que tiveram outras candidaturas? Se o silenciamento e a deturpação, a calúnia e a mentira não tivessem sido usadas como foram, como armas políticas de arremesso para denegrir a acção dos seus eleitos, com grande ampliação pelos principais órgãos de comunicação social? Se não tivesse sido desvalorizado, como foi, o papel do PCP na vida política nacional, silenciando-se a sua actividade, iniciativa e trabalho com um peso determinante para a reposição de direitos e rendimentos que se tem verificado?... Se fosse cumprida a Constituição da República Portuguesa…