Eleições na Autoeuropa

Margarida Botelho

A úl­tima edição do Avante! di­vulgou os re­sul­tados das elei­ções para a Co­missão de Tra­ba­lha­dores da Au­to­eu­ropa, re­a­li­zadas no dia 3.

O re­sul­tado é re­ve­lador da di­mensão que a re­jeição da pro­posta de ho­rá­rios apre­sen­tada pela ad­mi­nis­tração atingiu entre os tra­ba­lha­dores. Uma re­jeição que já tinha fi­cado bem ex­pressa no re­fe­rendo de 28 de Julho e na es­pan­tosa greve de 30 de Agosto.

Das seis listas con­cor­rentes, duas, a B e a F, in­cluíam tra­ba­lha­dores com­pro­me­tidos com o pré-acordo es­ta­be­le­cido entre a ad­mi­nis­tração e a an­te­rior mai­oria da CT. Foi na sequência do re­tum­bante chumbo que este pré-acordo me­receu no re­fe­rendo de Julho que a mai­oria da CT se de­mitiu e con­vocou novas elei­ções.

Na lista B in­te­gravam-se tra­ba­lha­dores afectos ao sin­di­cato da UGT, que desde há muitos anos vi­nham ele­gendo um re­pre­sen­tante para a CT, e que nesse papel ti­nham subs­crito o pré-acordo. Nestas elei­ções, ti­veram pouco mais de cem votos e não ele­geram nin­guém.

A lista F era en­ca­be­çada por Fer­nando Se­queira, su­cessor de An­tónio Chora na co­or­de­nação da CT e ainda re­cen­te­mente can­di­dato à Câ­mara Mu­ni­cipal da Moita pelo BE. Nas úl­timas elei­ções, esta lista tinha al­can­çado 7 dos 11 lu­gares. Nestas, foi a lista menos vo­tada, com 82 votos em 4011, não ele­gendo ne­nhum re­pre­sen­tante.

As res­tantes listas eram contra o pré-acordo, com des­taque para a C, uni­tária, cuja pos­tura no man­dato an­te­rior e no pro­cesso de luta foi re­co­nhe­cida pelos tra­ba­lha­dores, pra­ti­ca­mente du­pli­cando o nú­mero de votos.

O re­sul­tado é mais uma ex­pressão, cla­rís­sima, da uni­dade dos tra­ba­lha­dores contra a des­re­gu­lação dos ho­rá­rios e a obri­ga­to­ri­e­dade do tra­balho ao sá­bado. Mas também é uma res­posta, se­rena e firme, à cam­panha di­fa­ma­tória dos tra­ba­lha­dores da Au­to­eu­ropa, acu­sados de tudo: de serem ir­res­pon­sá­veis, egoístas, ma­ni­pu­lá­veis, ví­timas de uma guerra entre BE e PCP.

Os tra­ba­lha­dores ex­pres­saram com o voto uma coisa muito sim­ples: querem na CT quem os re­pre­sente, e não quem as­sine acordos que ali­enem os seus di­reitos.




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