Jornada de luta na distribuição por salários, horários e carreiras

EM LUTA Trabalhadores das empresas de distribuição concentraram-se, dia 28, em Lisboa, por aumentos salariais e o fim da discriminação, contra a desregulação de horários e carreiras.

Os trabalhadores e o CESP não cedem

LUSA

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No protesto realizado frente à sede social do Pingo Doce (grupo Jerónimo Martins), que preside à Associação Patronal das Empresas de Distribuição (APED), os trabalhadores mandataram o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) para «prosseguir e intensificar a luta nas empresas de distribuição, caso a associação patronal e as empresas de distribuição não satisfaçam as reivindicações dos trabalhadores do sector», lê-se numa nota sindical enviada aos órgãos de informação.

O Secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, esteve presente na iniciativa que reuniu pelo menos 150 trabalhadores e, ouvido pela Lusa, lembrou que «estamos a falar de um sector de actividade que continua a acumular lucros» mas que se esquece «de responder aos direitos dos trabalhadores.

No mesmo sentido pronunciou-se o deputado do PCP Miguel Tiago, que, de acordo com a mesma fonte, ali esteve em solidariedade com a luta sublinhando o contraste entre os lucros milionários acumulados pelas empresas e os baixos salários auferidos pelos trabalhadores.

Miguel Tiago advertiu para o facto de haver «lucros milionários e obscenos» e depois se pagar «salários tão baixos» que afectam os trabalhadores, além de fazerem com que o País «tenha o seu crescimento limitado» porque «o grande dinheiro que é feito através das redes das empresas de distribuição fica nos patrões e não entra na economia através do consumo».

Razões justas

Em causa está a insistência da APED e respectivas associadas na manutenção dos baixos salários e da discriminação remuneratória em função da localização geográfica (tabela B aplicada aos trabalhadores que laboram fora dos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal), bem como na manutenção da injustiça na carreira profissional dos operadores de armazém e a desregulação dos horários de trabalho.

O patronato só aceita negociar aumentos salariais e o fim da tabela B a troco da redução dos valores pagos por trabalho suplementar e de uma ainda maior desregulação do horário de trabalho, mas os trabalhadores e o CESP não cedem e pretendem um crescimento salarial de 40 euros para todos, o fim da tabela B, a valorização das carreiras garantindo a diferenciação entre as várias categorias e níveis, a correcção da carreira profissional dos operadores de armazém, designadamente a sua progressão automática e equiparação a operadores de loja, o respeito pelo contrato colectivo de trabalho em matéria de horários e descanso semanal, o fim dos ritmos laborais brutais e a implementação de medidas na segurança, higiene e saúde nos locais de trabalho.

Luta em marcha

Estas mesmas reivindicações estão na base da greve de 24 horas agendada para o próximo dia 19 de Outubro abrangendo todos os trabalhadores do Dia Minipreço e Clarel. Para o mesmo dia está prevista uma concentração nacional frente à sede do grupo, detalha-se num documento de mobilização para a luta editado pelo CESP.

No dia 28 de Setembro cumpriu-se uma greve de 24 horas no Jumbo de Almada e no Dia Minipreço de Corroios, bem como nas naves logísticas da Sonae na Maia e na Azambuja, e em todos os armazéns da Jerónimo Martins Retalho (JMR).

Em Valongo, os trabalhadores da JMR realizaram, dia 27 de Setembro, uma acção de protesto junto à nave logística de Alfena, isto depois de no dia 25 terem saído à rua trabalhadores do Pingo Doce em Espinho.

A provar que pela luta se alcançam resultados, o CESP informou que na sequência da negociação com a logística CARRERAS, a administração comprometeu-se a valorizar as carreiras, pôr fim à precariedade (já passaram 30 trabalhadores de agências de trabalho temporário aos quadros), melhorar as condições laborais e rever o pagamento do trabalho suplementar e em dias de descanso e feriados. Sem acordo ficaram a actualização das tabelas salariais e outras matérias pelas quais os trabalhadores do sector estão em luta, acima referidas, bem como reivindicações específicas na logística CARRERAS tais como o aumento do subsídio de alimentação, a implementação dos 25 dias úteis de férias ou a disponibilização pela empresa de transporte de e apara a área de residência.

 



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