Cinismo do mais puro
Refere a Lusa que na passada terça-feira, o líder do PSD, num encontro de apoiantes da coligação PSD/CDS que concorre às eleições autárquicas para o município de Palmela, empoleirado na sua habitual pose «de Estado», perorou sobre obras públicas afirmando: «tenho uma desconfiança de que as obras públicas que o governo está a pensar são todas aquelas que já estão decididas como prioritárias, estavam ao abrigo do Portugal 2020, mas o governo simplesmente não as fez porque tomou a opção - é a opção do governo, que nós respeitamos - de colocar o investimento público ao nível mais baixo de há muitos anos no nosso país, para cumprir a meta do défice.»
Passos Coelho não podia ter sido mais claro. E, por antítese, deu razão ao PCP que não se cansa de insistir que são os limites do défice, o peso da dívida, a submissão ao euro, o controlo monopolista sobre a nossa economia, os ditames, chantagens e pressões da União Europeia que não permitem a superação dos nossos problemas mais profundos e o desenvolvimento soberano do País.
Passos Coelho terá ainda acrescentado: «nós sabemos reconhecer bem a esperteza saloia, mas sabemos como é importante para o futuro tomar a tempo as medidas que são importantes para o nosso crescimento futuro, para o nosso bem-estar futuro, e para o nosso desenvolvimento futuro. E futuro é o que tem faltado a este governo».
É uma verdade que este Governo precisa de encarar o futuro e sem soberania ele não passa de miragem. Mas, daí a concluir que era a pensar no futuro do País que aplicou o violento Pacto de Agressão da troika é muito mais do que saloia esperteza, é cinismo do mais puro. Cinismo e sem-vergonha que são coisas que não faltam aos serventuários do grande capital. Quando falam do futuro do País mentem sempre. É no futuro do capital monopolista que estão a pensar.