Pontal – demagogia e populismo
O PSD fez domingo mais um comício nacional de Verão, menor do que em fases mais clientelares, e em que Passos Coelho não trouxe novidades. O discurso manteve a ocultação e hipocrisia sobre a responsabilidade do PSD/CDS na situação do País, a desvergonha de reivindicar para o seu governo os efeitos positivos das alterações e medidas da actual correlação de forças, a insistência nas orientações reaccionárias e mesmo no respectivo disfarce, a repetição da falácia da «geringonça», para pressionar áreas do PS mais anti-comunistas, e as acusações bombásticas – «demagogia e populismo» –, para impedir que isso mesmo se diga, com razão, da festa do Pontal.
São várias as «sondagens» que empurram o PS para a «maioria absoluta», para prosseguir «sozinho» a política de direita, e atiram o PSD para baixo. Os barões preparam a «noite das facas longas» – Sarmento, Rio, Montenegro, ... –, por isso, P. Coelho anuncia que «para o ano é que é», então sim, terá coisas importantes a dizer.
Por agora, opta pela exploração sem escrúpulos do drama dos fogos – escondendo que o PSD não resolveu qualquer problema na área e é corresponsável com o PS pelo SIRESP –, defende a Altice e o seu controlo da PT, da TDT, da Media Capital, a concentração de poder mediático e a «entorse democrática» resultante, o despedimento de trabalhadores, o saque da riqueza nacional. P. Coelho é o cavaleiro dos monopólios e defende que, na Autoeuropa, a Comissão de Trabalhadores, de maioria BE, era excelente (tão amigos!) e negociou «bons acordos», mas agora, ai de nós, a maioria dos trabalhadores e os terríveis sindicatos recusam a perda de direitos.
No Pontal, o PSD atacou tudo o que inverteu a sua desgraçada política e exigiu que prossigam as suas contra-reformas na saúde, na escola pública, na segurança social, para a «modernidade» da exploração e do assalto aos interesses nacionais, para que não volte o «passado» da CRP de 1976.
Tudo claro, demagogia e populismo, sem emenda nem vergonha.