Alegria por estar na Festa da diversidade musical
Já no final de Junho, mas em Lisboa, tinha sido apresentada a programação da Festa do Avante! num encontro com a comunicação social no qual participaram também diversos artistas. Tal como aconteceu agora, no Porto, também nessa ocasião os músicos presentes sublinharam o significado de actuar nessa grande iniciativa, que, como alguns fizeram questão de sublinhar, é para eles uma segunda casa.
O fadista Helder Moutinho, por exemplo, lembra-se de ir à Festa desde «pequenino», com os pais, realçando que sempre a viu como uma «celebração da liberdade». Na adolescência, viu lá muitos concertos – sobretudo de Trovante, de João Gil, que também consta do programa – e desde há mais de uma década que é presença regular no Auditório 1.º de Maio. Algo que, confessa, o faz sentir-se «muito contente».
Já João Afonso reconheceu o seu «fascínio» pela Festa do Avante!, tanto pela diversidade musical existente como pela alegria que permanente a marca. Isto dito por quem se sente «em casa» – por lá encontrar sempre «muitos amigos», quer enquanto músico quer enquanto participante – num evento que o acompanha há muito.
O representante dos Margem Soul antecipou o «prazer enorme» que será, para a banda, actuar num recinto tão grande como o Palco 25 de Abril. É aí que os Margem Soul vão apresentar antecipadamente o seu primeiro álbum, actualmente em gravações. A experiência da banda na Festa foi no Palco Novos Valores, onde actuaram em 2015 após terem vencido a final regional de Setúbal do concurso de bandas promovido pela JCP. «Foi brutal», recorda o músico, para quem a Festa é, desde há muitos anos, a sua «segunda casa em Setembro, senão mesmo a primeira».
Também Milton Gulli, dos Cacique' 97, já passou pelo Palco Novos Valores, mas com outra banda que teve «quando era mais miúdo». Já com o seu actual grupo actuou no Palco 25 de Abril, onde regressa este ano. Falando em seu nome e no da sua banda, garantiu ser «uma honra estar na Festa do Avante! mais uma vez».
Muitas motivações
o mesmo empenho
A fadista Tânia Oleiro (a quem Rúben de Carvalho antecipa, mais cedo do que tarde, uma fulgurante carreira) estreia-se este ano nos palcos da Festa: «é uma imensa alegria participar nesta Festa que durante anos acompanhei enquanto público», garantiu a jovem cantora, garantindo que a sua actuação será, para si, «muito gratificante».
André Dal, dos Stonebones & Bad Spaghetti, agradeceu à Festa pela oportunidade dada para, uma vez mais, aí actuarem: «A Festa do Avante!, e a minha banda é prova disso, tem espaço para todos os estilos musicais», o que não acontece noutros eventos. A origem do nome desta que é a única banda portuguesa de bluegrass, estilo musical originário do Kentucky (EUA), foi revelado por Rúben de Carvalho: Stonebones é a tradução literal do nome da terra de origem de um dos elementos, Pedrouços, e Bad Spaghetti vem de Massamá, de onde é natural o outro membro fundador.
Michael Lauren já actuou na Festa como músico de apoio e este ano é em nome próprio, à frente do grupo de jazz Michael Lauren All Stars, que pisará os palcos da Atalaia: «Esta Festa é sobre pessoas e sobre diversidade musical. Em tempos difíceis é assim que se avança. Sem a arte voltamos à idade das trevas.»
Rafaela Pereira e Inês Carvalho, da banda vencedora do concurso do Palco Novos Valores em Lisboa, os Zuuzaa, vêem na sua presença na Festa uma oportunidade para continuarem a evoluir enquanto grupo, salientando que «há muito boa música a ser feita em Portugal».
Nesta conferência de imprensa estiveram ainda presentes outros músicos, como João Gil e Capicua, mas também artistas ligados ao teatro, como Raquel Belchior, produtora do espectáculo Pelos que Andam Sobre as Águas do Mar, inspirada na obra de Raul Brandão Os Pescadores. Trata-se de uma peça de «teatro documentário» em que se revisita as comunidades piscatórias que o autor visitou há 90 anos.
Não há, sem qualquer dúvida, outra Festa como esta.