Jerónimo de Sousa no debate quinzenal com o primeiro-ministro

«Rendas» do sector eléctrico são mecanismo de extorsão dos portugueses

Jerónimo de Sousa afirma «não haver justificação» para os preços exorbitantes da electricidade e desafiou o Governo a acabar com este «escândalo inaceitável».

Quem paga as «rendas» milionárias da EDP são os portugueses

«Foram dadas já muitas explicações sobre as rendas de empresas de energia. Aquilo que ainda ninguém foi capaz de explicar é porque é que têm de ser os consumidores a suportar esses milhões de lucros das grandes empresas de energia e a pagar a electricidade mais cara da Europa», salientou o Secretário-geral do PCP, que não vê qualquer «justificação para que esta situação se mantenha criando prejuízos económicos e sociais às PME, aos consumidores, aos sectores produtivos e ao País».

O líder comunista, que falava no debate quinzenal com o primeiro-ministro realizado dia 8, voltava assim a trazer para primeiro plano a questão das chamadas «rendas excessivas» do sector eléctrico, referindo-se aos CAE (Contratos de Aquisição de Energia) e aos CMEC (Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual), que na sua perspectiva mais não são do que uma «imensa fraude que tem valido milhões de euros de lucros monopolistas».

«Estas rendas são o resultado daquilo que foi feito por sucessivos governos e é o pecado original deste processo: desmembramento da EDP, privatização e liberalização do "mercado eléctrico"», sublinhou, indo verdadeiramente à raiz do problema.

«Trata-se de super-lucros derivados da posição monopolista da EDP. Nos últimos dez anos os portugueses desembolsaram a mais, só em CMEC, 2500 milhões de euros, um número que nas projecções efectuadas em 2011 haveria de chegar aos quatro mil milhões de euros com a inclusão de outras prebendas do mesmo tipo. Milhões que em grande parte continuam por devolver», prosseguiu Jerónimo de Sousa, antes de lembrar que o PCP desde há muito que tem propostas para «pôr fim a tais mecanismos de extorsão dos portugueses», propostas sempre chumbadas pelas forças políticas que têm estado no governo nos últimos anos.

Reduzir encargos

António Costa, na resposta, disse acompanhar a «preocupação» quanto à necessidade de «reduzir o custo de energia e os encargos para o Estado», argumentando que isso teve já efeitos práticos no facto de este ano ter havido o «menor aumento de sempre no preço da electricidade para as famílias desde que o mercado foi liberalizado».

O primeiro-ministro valorizou ainda o alargamento da tarifa social da electricidade de pouco mais de 60 mil famílias para 800 mil famílias e realçou a circunstância de também este ano ter havido «uma redução do preço do gás para a indústria», além do apoio dado à «instalação de novas tecnologias que produzem energia limpa e segura», como a central celular de Alcoutim.

«Conforme os contratos forem sendo concluídos, por esgotamento do tempo, temos as condições para poderem ser renegociados, tendo em conta aquela que é a nova realidade», declarou o primeiro-ministro, esclarecendo que é por ter «bem presente a situação desproporcionada da distribuição dos encargos e responsabilidades no quadro da energia» que o Governo manteve a contribuição extraordinária do sector energético, «não obstante a conflitualidade judicial de que o Estado tem sido objecto por parte das empresas, em particular da EDP, que antes tinha posição dócil e que passou a ter posição hostil desde que o Governo mudou».

Assumindo que é seu propósito seguir esta «trajectória», António Costa garantiu por fim que o Governo «está disponível para considerar todas as soluções que, no respeito do quadro legal, permitam continuar a reduzir significativamente os encargos para as famílias, para as empresas e para o Estado, com a produção e distribuição da energia».




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