A «reestruturação»
O Expresso noticiou no fim-de-semana a intenção da Altice – o consórcio que comprou a MEO (ex-PT) – de pedir ao Governo o estatuto de empresa em reestruturação, o que lhe permitiria despedir três mil trabalhadores, um terço do total, pondo a Segurança Social a pagar. Tudo enquanto a empresa regista um aumento de 12,5 por cento de receitas relativamente a 2015, ultrapassando os mil milhões de euros.
O jornal cita uma fonte oficial não identificada da empresa que refere que «a integração numa multinacional implica a adaptação do negócio futuro a uma escala global, e isso exige novas qualificações. Há trabalhadores que se adaptam, outros não». À conta desta angelical constatação, já saíram mais de mil trabalhadores da empresa desde que a Altice comprou a MEO.
O PCP tem denunciado o clima de pressão e chantagem que se vive na empresa, com trabalhadores empurrados para a rescisão de contrato, transferidos de local de trabalho, desqualificados profissionalmente ou colocados sem funções. À pergunta que o PCP fez na Assembleia da República em Novembro, o Governo limitou-se a responder que decorria uma acção inspectiva da Autoridade para as Condições de Trabalho.
A resposta que «fonte oficial» do Ministério do Trabalho deu ao Expresso é apenas a confirmação de que o pedido de reestruturação ainda não deu entrada. Mas isso é pouco, muito pouco, face ao atropelo aos direitos dos trabalhadores que está em curso e ao enorme prejuízo para o País que este despedimento representaria. O que é preciso é que o Governo rejeite veementemente os intentos da Altice.
Há vezes em que gostávamos de não ter razão. Mas não é preciso ser bruxo para adivinhar o que acontece quando as empresas estratégicas de um país são privatizadas: são desmanteladas e o emprego é destruído. Mais cedo ou mais tarde, o país paga demasiado caro a decisão errada. Quanto mais depressa esse caminho for revertido, melhor.