Venezuelanos e brasileiros contra violência e golpismo

AMÉRICA LATINA Na Venezuela e no Brasil os povos estão em luta contra o golpismo. No primeiro caso defende-se a paz e a Constituinte. No segundo eleições directas e o fim dos retrocessos.

Os principais rostos do golpismo brasileiro estão a ser apeados

Para anteontem, em Caracas, estava agendada uma marcha contra a violência desencadeada pelos sectores mais reaccionários com o apoio do imperialismo norte-americano, que pretende retomar à força o controlo do País, acusam os bolivarianos.

Na semana passada as autoridades venezuelanas detiveram um responsável pelos grupos terroristas e pelo menos 16 operacionais, bem como diverso material (armas de fogo, munições e objectos que podem ser adaptados para uso letal, químicos, máscaras e dinheiro em moeda de vários países, etc.).

A acção de massas de terça-feira, 23, foi convocada pelo presidente Nicolás Maduro, que em iniciativas durante o fim-de-semana sublinhou os propósitos daquela: defender a paz ameaçada por «uma direita fascista dominada pelo ódio» e o processo de instalação de uma Assembleia Constituinte (30 mil pessoas já participaram nos debates, que todavia prosseguem).

A intentona golpista na Venezuela já cobrou a vida a 60 pessoas. Entre as acções mais recentes dos bandos armados (num total de 600 desde 1 de Abril) há incêndios de autocarros (pelo menos 50 nos últimos dias), sedes do Partido Socialista Unido da Venezuela, delegações da Comissão Nacional de Eleições e de outros organismos públicos, e visando a rede de abastecimento de bens de primeira necessidade gerida pela Petrolífera Estatal.

A mais chocante acção violenta da direita golpista venezuelana ocorreu no sábado, 20, na zona oriental de Caracas. A turba enfurecida pegou fogo a Orlando José Figuera e esfaqueou-o várias vezes. O jovem, que sofreu queimaduras em 80 por cento do corpo, foi acusado pelos «manifestantes pacíficos da oposição» de ser «chavista».

Ocupar Brasília

Já no Brasil, o golpismo encontra-se no poder desde a destituição da presidente eleita Dilma Rousseff, consumada em Maio de 2016. A meio da semana passada, Michel Temer foi denunciado como o protagonista de um esquema que envolvia o pagamento de uma «mesada» ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, já condenado a 15 anos de prisão. A gravação da conversa em que Temer insta um empresário brasileiro a manter o suborno, ocorrida em Março deste ano, foi divulgada por meios de comunicação social que antes haviam promovido a usurpação da presidência do país a Dilma Rousseff. A gravação foi validada pela Justiça e o presidente golpista, que afirma que não se demite, vai ser investigado.

Um dia depois do escândalo com Michel Temer, o líder social-democrata e candidato derrotado por Dilma Rousseff nas presidenciais que antecederam o golpe no Brasil, Aécio Neves, foi acusado pela Justiça e afastado do lugar de senador.

Os principais rostos do golpismo brasileiro estão a ser apeados, depois de no curto período de 12 meses terem empreendido ofensivas reclamadas pelo grande capital nacional e estrangeiro contra a previdência e direitos laborais e sociais (Saúde, Educação), e de terem aberto caminho à entrega dos mais valiosos recursos e empresas nacionais à exploração privada.

Nas ruas intensifica-se a mobilização contra as referidas «reformas» promovidas pela direita, agora com a exigência da renúncia de Michel Temer e de eleições directas novamente em primeiro plano. No dia 21, as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com apoio do movimento sindical unitário, em particular da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), realizou manifestações em 19 estados. Estas acções, salientou a CTB, visaram mobilizar para a grande marcha prevista para ontem, 24, convocada pelos movimentos e pelas centrais sindicais com o objectivo de ocupar Brasília, derrubar os golpistas e pôr fim ao retrocesso social.

 



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