Greve e manobras na Petrogal
A Fiequimetal/CGTP-IN saudou a «grande unidade» dos trabalhadores da Petrogal e a «elevadíssima participação» na greve que decorreu entre os dias 6 e 10. A federação reafirmou, num comunicado que emitiu no último dia da luta, que «privilegia a negociação e continuará a tudo fazer para demover a administração das suas posições intransigentes», mas «não pactuará com manobras, venham de onde vierem, se se verificar que afinal não existe um efectivo interesse na resolução do conflito e que tais declarações [do secretário de Estado do Emprego, sobre a vantagem de prosseguir os esforços para resolver o conflito por via da negociação] destinam-se tão só a fazer de conta, com o mero objectivo de continuar a arrastar o processo».
Na saudação aos trabalhadores, a Fiequimetal destaca que, «apesar de todas as arbitrariedades e medidas repressivas de algumas chefias e das limitações impostas ao desenvolvimento da luta pelo actual Governo do PS, houve uma elevadíssima participação na greve, com destaque para altas percentagens nas áreas fabris das refinarias do Porto e de Sines, onde a adesão foi total em vários turnos».
A elevada adesão à greve teve efeitos significativos: foi reduzida a produção nas duas refinarias, e também em ambas os trabalhos de manutenção foram suspensos; pararam os terminais petrolíferos e parques de abastecimento de combustíveis; foi paralisado o oleoduto que liga ao aeroporto de Pedras Rubras e houve perturbações no abastecimento do parque de Aveiras ao Aeroporto de Lisboa.
Lembrando que a ANA responsabilizou a Petrogal pelo facto de, nos dias 10 e 11, no Aeroporto de Lisboa, centenas de voos terem sido cancelados, desviados ou reprogramados com horas de atraso, a federação observou que, «curiosamente a Petrogal ainda nada disse sobre a origem do problema». «A verdade acabará por se conhecer», comentara a Fiequimetal, no primeiro dia de perturbações, alertando que «é importante que sejam tomados em consideração todos os elementos que podem concorrer para a grave situação criada no aeroporto de Lisboa» e que «a grande greve dos trabalhadores da Petrogal é certamente um desses factores».