Vale a pena lutar!

Ângelo Alves

No dia em que estas linhas chegarem às mãos do leitor estarão a ser anunciadas pelo Governo a suas decisões relativamente à Fortaleza de Peniche. Depois de terem sido conhecidas no passado dia 17 de Abril as conclusões do Grupo de Trabalho Consultivo, o Governo convocou para hoje, dia 27 de Abril, precisamente na Fortaleza de Peniche, um Conselho de Ministros. A data dificilmente poderia ser mais simbólica: foi a 27 de Abril de 1974 que foram libertados os presos políticos de Peniche.

Espera-se, também por isso, que o Governo anuncie medidas concretas que constituam um acto de respeito pela memória histórica e de justiça para com todos os antifascistas – na sua maioria comunistas - que deram tanto das suas vidas, a sua própria liberdade, e muitos a própria vida, para libertar o povo português da ditadura fascista e abrir as portas de Abril.

Já muito se passou desde o momento em que o Governo anunciou a sua intenção, agora derrotada, de concessionar a Fortaleza a privados para fins hoteleiros. Ao olharmos para os meses que nos separam de Outubro de 2016 é inevitável surgir a frase: «Vale a pena lutar». Foi a reacção pronta e decidida de muitos milhares de antifascistas e democratas, a par com a decidida intervenção do PCP, que fez com que o Governo se visse obrigado a recuar nas suas intenções. Foi a luta que operou esse feito notável de transformar um ataque à memória histórica numa oportunidade para finalmente se reconhecer a Fortaleza de Peniche como um património único e insubstituível, um dos mais importantes monumentos nacionais, estratégico para a preservação e transmissão da memória histórica sobre a resistência antifascista e a luta pela liberdade.

O que o Governo anunciar hoje não é nem um acto de generosidade nem uma qualquer benesse. É um direito e um acto de justiça. Conquistado, como sempre, pela luta! E o PCP orgulha-se de ter estado, e continuar a estar, na primeira linha dessa luta.




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