EUA em África brincam com o fogo
A administração Trump está a aumentar a ingerência dos Estados Unidos em África, com maior presença militar e mais acções de guerra.
A recente deslocação do secretário da Defesa norte-americano ao Djibuti, onde se situa a principal base militar dos EUA em África, confirma o reforço do intervencionismo estado-unidense.
O general James Mattis terminou no Djibuti uma visita a países do Médio Oriente e da África – Arábia Saudita, Egipto, Israel e Qatar –, todos eles fiéis aliados de Washington, seja na continuada ocupação da Palestina, seja em guerras passadas, como a invasão do Iraque e a destruição da Líbia, ou actuais, como as agressões à Síria e ao Iémen.
O objectivo do périplo, segundo o Pentágono, foi o de reafirmar «alianças militares fundamentais» para os EUA, consolidar laços com «parceiros estratégicos» e discutir a cooperação para travar «actividades de desestabilização» e derrotar «organizações extremistas e terroristas».
No Djibuti, país importante pela localização, junto do Estreito de Bab el-Mandeb, à entrada do Mar Vermelho, Mattis teve um encontro com o presidente Omar Guelleh e reuniu-se com responsáveis militares norte-americanos, entre os quais o general Thomas Waldhauser, chefe do Africom, o comando das forças armadas dos EUA para África.
A base em Djibuti, Camp Lemmonier, com quatro mil efectivos, desempenha um papel chave nas operações militares norte-americanas em África e na Península Arábica. É utilizada, nomeadamente, para apoiar ataques de drones na Somália, contra o Al-Shebab, e no Iémen, contra a Al-Qaida, com trágicos «danos colaterais» em vítimas civis.
Mais poder ao Africom
Em meados deste mês, o Africom anunciou o envio de «algumas dezenas de soldados» para a Somália, «a pedido» do governo de Mogadíscio, para «ajudar» as forças locais «em matéria de segurança», no quadro da luta contra os shebab. Não é a primeira vez que os EUA colocam, com resultados desastrosos, «botas no terreno» naquele país do Sudeste africano, flagelado por guerras, pirataria e fomes desde os anos 90.
Em 2007 foi enviada para a Somália uma força militar da União Africana, a Amisom, presentemente com 22 mil soldados, financiada, armada e treinada pelos EUA e aliados.
Ainda no âmbito de uma maior intervenção militar no Corno da África, o Pentágono alargou em finais de Março os poderes das chefias militares para levar a cabo bombardeamentos aéreos na Somália, tornando-os mais numerosos e ofensivos.
Na altura, o presidente Trump aprovou uma proposta do Pentágono no sentido do incremento das operações de combate. A decisão, que mereceu elogios do general Thomas Waldhauser, permite autonomia ao Africom para realizar acções de guerra e «destruir os alvos mais rapidamente».
Não é, pois, só com o ataque de mísseis à Síria, o lançamento da mãe das bombas no Afeganistão, as ameaças na Península da Coreia ou as provocações nas fronteiras europeias da Rússia que os EUA põem em risco a paz mundial. Também em África, Trump e os seus generais brincam com o fogo.