Oposição venezuelana foge do diálogo
A oposição venezuelana insiste em desacatar a ordem constitucional, acusa o governo bolivariano, que junto com os mediadores internacionais apela ao reatar de conversações.
A Assembleia Nacional anima aventuras golpistas
Na segunda-feira, 23, a oposição realizou em Caracas uma concentração em que exigiu a destituição do presidente eleito Nicolás Maduro e a convocação de eleições. A iniciativa não obteve uma mobilização superior à marcha popular convocada em simultâneo pelos sectores bolivarianos, na qual celebraram o aniversário do fim da ditadura. Neste âmbito, o presidente Nicolás Maduro encabeçou as cerimónias de transladação para o Panteão Nacional dos restos mortais de Fabricio Ojeda, líder do movimento revolucionário ocorrido a 23 de Janeiro de 1958.
Apesar da fraca adesão registada, a oposição venezuelana não deu resposta positiva ao regresso do diálogo. A renovação, a semana passada, por parte de Barack Obama, do decreto presidencial que acusa a Venezuela de representar uma ameaça para a segurança dos EUA, não ajuda a impulsionar o fim do confronto.
Na quarta-feira, 18, Nicolás Maduro compareceu a uma conferência de imprensa com órgãos de comunicação social internacionais e apelou a que a Assembleia Nacional (AN) regresse à legalidade acolhendo o que titulou de «elemento chave» para a pacificação do país: as conversações.
Nesse mesmo dia, na representação diplomática da Venezuela em Lisboa, o embaixador Lucas Rincón Romero defendeu que a mais recente iniciativa aprovada pela oposição no parlamento – a declaração de abandono do cargo por parte de Nicolás Maduro – , prossegue a tentativa de afastamento do presidente venezuelano, já ensaiada no passado mês de Dezembro. Processos, explicou, sem qualquer suporte constitucional, o que, aliás, tem sido sublinhado pelo Supremo Tribunal de Justiça, a única entidade com competência para afastar o chefe de Estado e de Governo.
Nesse sentido, adiantou ainda o embaixador, o pronunciamento da AN assume um carácter insurreccional que anima aventuras golpistas, falhadas que foram acções anteriores, caso da convocação de um referendo revogatório que não avançou devido a «erros» como a apresentação de assinaturas «de gente com 150, 170 e 180 anos», afirmou.
Na quinta-feira, 19, e na sexta-feira, 20, o secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas e um representante do Vaticano reuniram com Nicolás Maduro, com a oposição e com a direcção da AN. Nos encontros estiveram, igualmente na qualidade de mediadores, Rodríguez Zapatero (Espanha), Leonel Fernández (República Dominicana) e Martín Torrijos (Panamá), todos sublinhando a necessidade de se descongelar as negociações abandonadas pela oposição.