Paz mais longe na Palestina

A construção de novos colonatos e a possível instalação da representação diplomática dos EUA em Jerusalém minam a perspectiva de pacificação do Médio Oriente. No primeiro caso, ao aprovar, domingo, 22, a edificação em Jerusalém Leste de mais 566 habitações para colonos, o governo liderado por Benjamin Netanyahu prossegue a expansão sionista em clara afronta ao direito do povo palestiniano a estabelecer na parte Oriental daquela cidade a capital da almejada nação independente, cujas fronteiras estão limitadas à ocupação territorial de 1967.

A decisão, além do mais, afronta resoluções adoptadas nas Nações Unidas, a última das quais aprovada no passado mês de Dezembro (resolução 2334). Na ocasião, o Conselho de Segurança (CS) da ONU aprovou pela primeira vez um texto em que se considera que as colónias judias são um obstáculo à solução de dois estados e à paz sustentável no Médio Oriente, instando, por isso, Israel a interromper a colonização.

Os EUA abstiveram-se de usar o direito de veto, mas logo nos primeiro dias de Janeiro a Câmara dos Representantes em Washington rejeitou a iniciativa diplomática ao aprovar, por 342 votos a favor e 80 contra, uma declaração que condena o documento do CS das Nações Unidas, titulando-o até de «anti-israelita».

Afronta histórica

O apoio dos EUA à política criminosa sionista pode, porém, subir mais patamares, caso se venha a concretizar o projecto de transferência da embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém. A Casa Branca confirmou, domingo, 22, que o processo se encontra no início.

Mahmud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestiniana que havia saudado a resolução do CS da ONU na qual se condena os colonatos israelitas, advertiu que a mudança da representação diplomática norte-americana destruiria as esperanças de paz ao sufragar a anexação de Jerusalém Leste por Israel. No mesmo sentido pronunciaram-se a Organização de Libertação da Palestina e o Hamas, para quem a legitimação da ocupação seria desastrosa. Posteriormente, também a chancelaria dos Negócios Estrangeiros francesa lamentou a intenção dos EUA.

Recorde-se que em Paris, a 15 de Janeiro, representantes de mais de 70 países reiteraram o seu compromisso com a solução de dois estados e rejeitaram acções unilaterais em matéria de fronteiras, refugiados e sobre Jerusalém. O documento final não incluiu qualquer proposta de sanção contra Israel por exigência do então secretário de Estado dos EUA, John Kerry. A Grã-Bretanha adoptou uma posição ainda mais enfática ao recusar subscrever a declaração final.

Não obstante, em nome da Palestina, Mahmud Abbas congratulou-se com o resultado da conferência de Paris, mais concretamente pelo sublinhado da necessidade de fazer prevalecer as resoluções da ONU e o Direito Internacional na abordagem do conflito israelo-palestiniano.

 



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