Cameron candidato?
O ex-primeiro ministro britânico, David Cameron, é um dos candidatos mais prováveis ao cargo de secretário-geral da NATO, revelou o jornal Daily Mail, na sua edição de 29 de Dezembro.
Faremos mais na NATO para compensar a nossa saída da UE
O artigo, assinado por John Stevens, refere fontes não identificadas que dão como certo que a candidatura de Cameron será bem sucedida se a actual primeira-ministra, Theresa May, o promover ao cargo, e garante que, segundo uma fonte da NATO, o Reino Unido ocupa uma forte posição, «sendo o maior e o mais importante país em termos militares» na Aliança Atlântica, depois dos EUA.
Apoiantes de Cameron que integram o governo, citados pelo jornal, afirmam que o ex-primeiro-ministro está disponível para assumir um cargo de topo no cenário mundial e advogam que para o Reino Unido é crucial ocupar aquele cargo se quiser «desempenhar um papel maior na segurança europeia e mostrar aos aliados da UE que queremos desempenhar um papel pós-Brexit construtivo no continente». Sem nunca identificar a fonte, o artigo cita um desses apoiantes para quem a «chave nesta fase é sinalizar um interesse de alto nível nas conversações de líderes e mostrar que o nosso eventual candidato tem visibilidade e é aceitável para todos. Isso significa que um aspirante a candidato precisa de começar a falar sobre as questões certas e aparecer em várias conferências, como a Conferência de Segurança de Munique e Davos».
Outro aspecto importante para ascender ao cargo é «garantir o apoio dos EUA», lembra o apoiante de Cameron, sublinhando que a posição norte-americana tem «muito peso» junto dos restantes aliados e que a decisão final é tomada por consenso.
O interesse britânico nesta matéria ficou muito claro logo após o referendo de 23 de Junho que deu a vitória ao Brexit, com o secretário de Defesa Sir Michael Fallon a garantir que o Reino Unido intensificaria seu engajamento na Aliança militar liderada pelos EUA: «a NATO é a pedra angular da nossa defesa e o que vamos dizer aos outros líderes é que faremos mais na NATO para compensar a nossa saída da UE», disse.
Recorda-se que a Grã-Bretanha já ocupou o lugar três vezes, primeiro com Lord Ismay, de 1952 a 1957, depois com Lord Carrington, de 1984 a 1988, e Lord Robertson, de 1999 a 2003. O actual secretário-geral da NATO, o ex-primeiro-ministro norueguês Jens Stoltenberg, termina o mandato em 2018 ou 2019, se o mesmo for prorrogado. O lugar de secretário-geral é sempre preenchido por um europeu, enquanto os EUA reservam para si o de Comandante Supremo da organização.
May apela à unidade
A primeira-ministra britânica, Theresa May, na mensagem televisiva que dirigiu ao país, a 31 de Dezembro, pediu unidade aos habitantes do Reino Unido de forma a superar as divisões criadas pelo triunfo do Brexit.
«Tomámos uma decisão transcendental e estamos numa nova direcção. Se 2016 foi o ano em que votaram pela mudança, este é o ano em que nós começamos a materializá-la. Sei que o referendo de Junho nos dividiu, mas se nem todos partilham os mesmos pontos de vista, ou votaram da mesma maneira, sei que enfrentamos as oportunidades que temos pela frente, e os nossos interesses partilhados e ambições unem-nos», disse a chefe do executivo.
Theresa May informou ainda que vai activar, antes de Março de 2017, o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que inicia o processo de negociações sobre a saída de um país da UE.