Guerra suja na Colômbia
A vaga de assassinatos de líderes rurais ameaça a pacificação da Colômbia. «As Nações Unidas entendem o medo das organizações sociais afectadas e a sua reivindicação para que se tome urgentemente as medidas necessárias para evitar o recrudescimento da violência, que mina a confiança nas perspectivas de uma paz estável de duradoura», alertou a missão da ONU naquele país, reagindo a um fim-de-semana de horror nas províncias de Caquetá e Meta. Três dirigentes camponeses foram executados por jagunços e um encontra-se gravemente ferido em resultado dos disparos.
A ONU recordou, igualmente, que o acordo entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP) «prevê a implementação de várias medidas dirigidas precisamente a garantir a segurança de líderes de organizações sociais e de defensores dos direitos humanos, assim como a segurança para o exercício da política».
As FARC-EP, por seu lado, também advertiram que se o governo «está comprometido com a paz na Colômbia», tem de travar a «guerra suja» e colocando «um ponto ponto final a este extermínio de inocentes, cujo pecado parece ser o seu pensamento crítico e visão do novo país». A guerrilha exige, por isso, a «aplicação imediata do acordo sobre garantias de segurança».
Em carta aberta dirigida ao presidente Juan Manuel Santos, as FARC-EP acusam os que «obtiveram dinheiro, poder e privilégios graças à guerra fratricida que por mais de 52 anos destruiu o país» de estarem por trás da vaga assassina. Na missiva, as FARC-EP recordam o genocídio de milhares de militantes, dirigentes e apoiantes da União Patriótica, nos anos 90, e insistem que «ninguém explica o motivo de, havendo determinação em acabar com a guerra, não se tomar as decisões que efectivamente desarticulem o paramilitarismo».
Em 2016 foram assassinados na Colômbia 33 dirigentes sociais e populares.