Resistência e denúncia pública demovem patrões

A luta resulta na hotelaria

Au­mentos sa­la­riais, no Al­garve, e com­pro­misso pa­tronal, na Fi­gueira da Foz, vêm dar força à luta dos tra­ba­lha­dores e dos sin­di­catos da ho­te­laria e tu­rismo, que pros­segue nas di­fe­rentes re­giões.

A força dos tra­ba­lha­dores pode der­rotar a es­tra­tégia pa­tronal

Para dia 20, sá­bado, es­tava mar­cada greve no Clube Praia da Oura, em Al­bu­feira, mas as tra­ba­lha­doras de­ci­diram na vés­pera des­con­vocar a pa­ra­li­sação. Ao re­velar esta de­cisão, o Sin­di­cato da Ho­te­laria, Res­tau­ração e Si­mi­lares do Al­garve ex­plicou que chegou a acordo com a ad­mi­nis­tração do Grupo MGM Muthu Ho­tels, pro­pri­e­tário da­quele com­plexo e de mais quatro uni­dades no con­celho.
O acordo al­can­çado pelo sin­di­cato da Fe­saht/​CGTP-IN prevê, para os cerca de 400 tra­ba­lha­dores do grupo, o au­mento dos sa­lá­rios este ano, com efeitos a 1 de Junho, em dois por cento, com um mí­nimo de 30 euros, e também, a partir de 1 de Ja­neiro de 2017, um au­mento de três por cento, as­se­gu­rando o mí­nimo de 30 euros.
A ad­mi­nis­tração as­sumiu ainda o com­pro­misso de passar a efec­tivos os tra­ba­lha­dores pre­cá­rios que es­tejam a ocupar postos de tra­balho per­ma­nentes, as­sunto que será ana­li­sado em Se­tembro, numa reu­nião com a co­missão ne­go­ci­a­dora sin­dical. Noutra reu­nião, em No­vembro, serão abor­dadas «as ne­ces­si­dades para 2017, no sen­tido de me­lhorar as con­di­ções de tra­balho, par­ti­cu­lar­mente em re­lação à ne­ces­si­dade de con­tra­tação de mais tra­ba­lha­dores para as sec­ções em que a carga de tra­balho tem sido ex­ces­siva», in­formou o sin­di­cato.
No co­mu­ni­cado de im­prensa de dia 19, afirma-se que «esta é uma vi­tória das tra­ba­lha­doras e do seu sin­di­cato de classe, que de­monstra que quando se luta é pos­sível me­lhorar as con­di­ções de vida e de tra­balho».

Outra vi­tória foi al­can­çada pelos tra­ba­lha­dores do Grupo JJW Ho­tels & Re­sorts, de que faz parte o Pe­nina Hotel & Golf Re­sort, onde ocorreu uma greve no dia 12. A partir deste mês, os sa­lá­rios são au­men­tados em 30 euros.
Com estes re­sul­tados, fica dado «mais um con­tri­buto para der­rotar a es­tra­tégia do pa­tro­nato do sector do tu­rismo que, apesar dos re­sul­tados re­corde ob­tidos nos úl­timos anos, pre­tende con­ti­nuar a re­duzir sa­lá­rios e a de­gradar as con­di­ções de tra­balho», sa­li­enta o sin­di­cato, que «exorta os tra­ba­lha­dores do sector a se­guirem estes exem­plos de de­ter­mi­nação, uni­dade e ca­pa­ci­dade de luta por uma vida me­lhor e con­di­ções de tra­balho dignas».

Os re­pre­sen­tantes dos tra­ba­lha­dores foram re­ce­bidos na se­mana pas­sada pela ad­mi­nis­tração da So­ci­e­dade Fi­gueira Praia (Ca­sino da Fi­gueira da Foz), a quem ti­nham en­tregue um ca­derno rei­vin­di­ca­tivo, subs­crito por 90 por cento do pes­soal. O Sin­di­cato da Ho­te­laria do Centro in­formou, no dia 17, que foi as­su­mido um com­pro­misso pelo ad­mi­nis­trador, Do­mingos Silva, para que sejam cor­ri­gidas vá­rias ques­tões re­la­tivas ao fun­ci­o­na­mento da­quela uni­dade do Grupo Amorim Tu­rismo e à gestão de re­cursos hu­manos. Irá co­locar as rei­vin­di­ca­ções sa­la­riais no con­selho de ad­mi­nis­tração, pre­si­dido por Jorge Ar­mindo, e dará uma res­posta no prazo de um mês.
O sin­di­cato as­se­gura que, em re­pre­sen­tação dos seus as­so­ci­ados, vai acom­pa­nhar o pro­cesso de cor­recção das ir­re­gu­la­ri­dades e vai bater-se pela ac­tu­a­li­zação dos sa­lá­rios, con­ge­lados há seis anos, numa em­presa in­se­rida no uni­verso da maior for­tuna de Por­tugal.


In­ti­mi­dação fa­lhada

Di­ri­gentes e ac­ti­vistas do Sin­di­cato da Ho­te­laria do Norte, na tarde de sexta-feira, dia 19, ins­ta­laram uma banca frente ao Ca­sino da Póvoa de Varzim, para de­nun­ciar a re­cusa de au­mentos sa­la­riais, que dura há sete anos, e a dis­cri­mi­nação de tra­ba­lha­dores des­pe­didos nas novas con­tra­ta­ções. «A ad­mi­nis­tração do ca­sino não gostou da pre­sença dos sin­di­ca­listas e chamou a PSP para os in­ti­midar», e esta «fez o frete à em­presa e foi iden­ti­ficar os sin­di­ca­listas», re­lata o sin­di­cato, na sua pá­gina na rede so­cial Fa­ce­book. Só que estes «não se dei­xaram in­ti­midar e pros­se­guiram a sua acção sin­dical».
Esta não foi a pri­meira vez que a PSP, «a mando da ad­mi­nis­tração do Ca­sino da Póvoa, põe em causa di­reitos, li­ber­dade e ga­ran­tias cons­ti­tu­ci­o­nais», mas o sin­di­cato as­si­nalou que «uma coisa é haver agentes gra­ti­fi­cados no Ca­sino, outra coisa é cum­prirem or­dens do Ca­sino» e já for­ma­lizou um pro­testo junto do Mi­nis­tério da Ad­mi­nis­tração In­terna.
De manhã, a banca sin­dical es­teve no Pas­seio Alegre, junto a vá­rios cafés e res­tau­rantes e ao lado do Grande Hotel da Póvoa. Foram dis­tri­buídos co­mu­ni­cados aos tra­ba­lha­dores e à po­pu­lação, e foram re­co­lhidas as­si­na­turas por me­lhores sa­lá­rios, contra a pre­ca­ri­e­dade e pelo cum­pri­mento dos di­reitos.

No dia 18, quinta-feira, ao início da manhã, o foco do sin­di­cato foi co­lo­cado no Hotel Douro, no Porto, cujo ge­rente é vice-pre­si­dente da as­so­ci­ação pa­tronal Aphort, a qual re­cusa ne­go­ciar au­mentos sa­la­riais há cinco anos e de­nun­ciou a con­venção co­lec­tiva de tra­balho, pro­cu­rando atacar os di­reitos dos tra­ba­lha­dores. «De­pois de todos os cli­entes terem to­mado o pe­queno-al­moço e de a mai­oria ter subs­crito o abaixo-as­si­nado, a banca rumou para a baixa do Porto», pros­se­guindo a cam­panha na Rua das Flores.
Aqui pre­do­minam res­tau­rantes e cafés, e o sin­di­cato des­tacou pro­blemas como os baixos sa­lá­rios, os ho­rá­rios de 10 e 12 horas diá­rias e a «pre­ca­ri­e­dade imensa nos res­tau­rantes e cafés, onde abunda o tra­balho ilegal e clan­des­tino e o tra­balho não de­cla­rado».

Contra a re­pressão pa­tronal no Hotel Crowne Plaza Vi­la­moura, o Sin­di­cato da Ho­te­laria do Al­garve de­cidiu re­a­lizar ontem, ao final da tarde, uma con­cen­tração junto àquela uni­dade – cuja ad­mi­nis­tração ten­ciona des­pedir re­pre­sen­tantes dos tra­ba­lha­dores, que par­ti­ci­param em Março numa acção pú­blica sin­dical.

 



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