Aleppo
A cidade síria de Aleppo é uma jóia histórica com milénios. Foi tomada pelo que a CIA chama de «rebeldes» - grupos armados, financiados e politicamente apoiados pelos EUA e membros europeus da NATO -, que protagonizaram, na Síria, a «primavera árabe» que há meia dúzia de anos incendiou o Norte de África e, em particular, o mundo islâmico, não se sabe com que rastilho.
Aleppo está reduzida a escombros, na linha da barbárie do exército norte-americano no Iraque, onde terraplanaram monumentos com milénios para construir pistas de aterragem (isto apenas como exemplo). O governo secular de Bashar al-Assad (que, recorde-se, foi ele próprio várias vezes sufragado como Presidente por eleições e pelo eleitorado sírio) nunca desistiu de libertar a cidade, que hoje tem milhares de civis encurralados sob o domínio dos «rebeldes».
Assad abriu um corredor humanitário na cidade cercada pelo seu exército, por onde saíram multidões espavoridas. As televisões mostraram a mesma reportagem, com diferentes mulheres a dizerem coisas impressionantes: «É uma sensação muito boa, que Deus proteja o Exército»; «Caminhámos muito, que Deus amaldiçoe os rebeldes»; «Tiraram-nos a comida, os medicamentos, que Deus castigue os rebeldes»; «Partimos com os filhos que restam, que Deus castigue os rebeldes»; «Não nos deixavam partir, tiraram-nos a água, o gás, a luz e o pão, não podíamos partir, sofremos muito por causa desses cães sem vergonha»; «partimos sob protecção do Exército» (e chorava convulsivamente).
As televisões passaram esta reportagem sem um comentário, apenas mostrando a rendição de «rebeldes» (que eram «alguns») e
acrescentando que «a Síria pretende declarar a vitória da retoma da cidade», mas «o director da CIA não concorda», mostrando-o a dizer: «Temos de saber que Assad está de saída. Pode haver um período de transição, mas tem de ser claro que ele não faz parte do futuro da Síria. Até isso acontecer, até haver um início ou o reconhecimento dessa transição, haverá sírios a morrer» (sic).
Deixando de lado o brutal descaramento de «senhor do mundo», a dizer que os sírios continuarão a morrer enquanto não fizerem a vontade aos EUA de afastar o presidente Assad, referindo só de passagem que a Síria se tornou uma base territorial do ISIS graças à «primavera» (e ao caos) promovidos pelos EUA e C.ª, acrescentemos que as televisões portuguesas, tão prolixas no explorar das desgraças, ao extremo de fazerem «directos para a água» (tragédia de Entre-os-Rios), não deram um pio sobre os testemunhos daquelas mulheres sírias, em directo e sem rebuços face aos «rebeldes».
Os seus comentários, escolhas e «coração» estavam (e estão sempre) integralmente com a CIA e C.ª - «In God We Trust».
Até aos dias em que ruirá o império.