Marco de Correio
Já não é fácil encontrar os célebres marcos de correio, estruturas cilíndricas, de cor vermelha, onde, diariamente, eram depositadas cartas de amor, cartas da família, postais de boas festas, convites, contas e extractos bancários, correspondência avulsa de todo o tipo, que passava por esse ícone, imortalizado até em cançonetas ligeiras.
Hoje, as comunicações electrónicas aligeiraram o volume de cartas e já só quase nos chegam a casa contas para pagar e cada vez mais dolorosas.
Não deve ter sido, portanto, através de nenhum marco do correio (até porque, desde a privatização, os CTT já não são de fiar, entregando as cartas quando calha, por via da redução de trabalhadores) que o BCE decidiu remeter à Administração da Caixa Geral de Depósitos a famosa carta sobre a Caixa geral de Depósitos que mão amiga fez chegar a um comentador televisivo.
Não terá sido, mas parece.
Entendamo-nos. O Estado Português, proprietário da Caixa Geral de Depósitos, decidiu fazer um processo de recapitalização deste banco. Tal decisão justifica-se, plenamente, com o objectivo de assegurar o seu desenvolvimento ao serviço o povo e do país. Fá-lo no exercício da sua legítima soberania e da obrigação que tem de zelar pelos supremos interesses do povo Português.
O BCE terá escrito à Administração da Caixa, exigindo um plano alternativo, para o caso da recapitalização pública não ser viável, aproveitando para se pronunciar sobre o número de administradores da Caixa e sobre quem eles são.
Sublinhando o desacordo pela opção de colocar à frente dos destinos do banco público, da maior entidade bancária nacional, gente que tem dado provas ao longo da sua vida de se reger apenas pela defesa dos interesses particulares e privados, mão se pode deixar de manifestar o mais profundo repúdio por esse acto supremo de ingerência de, não apenas procurarem desestabilizar o processo que está em curso de fortalecimento da Caixa, como avançarem já para a fase seguinte, assumindo que os seus propósitos darão certo nesta etapa.
O que é exigível é que, na volta do correio, o Governo português lhes remeta um Postal com a célebre figura de Bordalo Pinheiro, colocando-os, com os melhores cumprimentos, no devido sítio!