Malabarismo e mentiras

A marcar este debate sobre a Banca esteve a acusação ao anterior governo PSD/CDS de que ocultou a verdadeira situação do sector financeiro.

O deputado do PS João Galamba, logo na intervenção de abertura, sinalizou a questão sublinhando que o anterior executivo, no plano internacional, apresentou o problema do País como sendo sobretudo de finanças públicas, escondendo então a crise do sector bancário. E recordou que durante o período em que Portugal esteve submetido ao pacto de troika foram escondidos os problemas no Banco Espírito Santo e no Banif, que depois tiveram pesadíssimos custos para os contribuintes.

«O problema do sector financeiro nunca foi assumido na sua verdadeira dimensão. Agora, PSD e CDS-PP atacam quem pretende resolver o problema», disse o deputado do PS. A réplica viria pela voz da deputada Maria Luís Albuquerque, num discurso em que foi notória a tentativa de alijar responsabilidades pelo que se passou nos últimos quatro anos. E em que procurou pôr nos governos PS o ónus pela situação do sector financeiro. «Aquilo que leva à acumulação de imparidades é o que os senhores fizeram à economia», disse, antes de invocar outros dislates como seja o de que o actual Executivo «tirou mais a todos para devolver a alguns», «ameaça não pagar a dívida», «reverteu as concessões das empresas de transportes, afastando investidores estrangeiros de que Portugal tanto precisa, para dar à CGTP o poder que os trabalhadores lhe tinham retirado ao longo dos anos».

Ocultação

O deputado comunista Miguel Tiago também não deixou passar em branco o facto de a ex-titular das Finanças ter feito tudo para esconder dos portugueses a situação da banca, «incluindo mentir», acusando-a ainda de «malabarismo» na questão do crédito malparado.

E lembrou, a este propósito, que foi o próprio Banco de Portugal, em Janeiro de 2016 – com base, por conseguinte em dados do conhecimento da ex-titular das Finanças –, que indicou que durante o período de 2011 a 2015 os problemas das imparidades na banca não pararam de crescer, foram-se acumulando, ao ponto de criar necessidades de capital estimadas em 56 mil milhões de euros. «E a senhora vir agora aqui tentar fazer crer que o problema do crédito malparado na banca surge de um momento para o outro, quando o governo PSD/CDS tudo fez para esconder a verdadeira situação da banca, esconder este problema dos portugueses...», indignou-se o deputado comunista.

Dirigindo-se a Maria Luís Albuquerque, Miguel Tiago disse ainda lembrar-se muito bem quando lhe perguntava sobre a situação no Banif e esta dizia que «nem percebia a pergunta, que no Banif estava tudo bem». Ou sobre a situação do BES, e a resposta que o PCP obtinha era a de que o «governo não tem nada que se preocupar com assuntos dos grupos privados», recordou Miguel Tiago, que afirmou ainda «lembrar-se muito bem» de como Maria Luís Albuquerque, enquanto ministra, «tudo fez para esconder dos portugueses o conhecimento sobre o problema que crescia de dia para dia na banca».

É que, explicou, as imparidades e o crédito malparado não se limitaram a persistir. «Cresceram de ano para ano», anotou o deputado do PCP, sublinhando que para manter a «narrativa da saída limpa» o governo procedeu a «uma limpeza, mas foi nos bolsos dos portugueses».

 



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