Bolivarianos resistem
A defesa da soberania e do progresso da Venezuela recrudesce em resposta à crescente ofensiva das forças golpistas internas e externas num país em estado de excepção.
Avião de espionagem dos EUA invadiu espaço aéreo venezuelano
No sábado, 21, as Forças Armadas Bolivarianas (FAB) concluíram volumosos exercícios militares considerados pelo presidente Nicolás Maduro e pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, uma resposta ao imperialismo e às suas pretensões de reconquista da «terra de Bolívar e Chávez», e uma demonstração da vitalidade da aliança cívico-militar. A unidade entre povo e militares tem sido uma das traves mestras do processo bolivariano, bem como da capacidade de resistência às tentativas golpistas.
As manobras defensivas envolveram mais de 500 mil homens e mulheres de todos os ramos das FAB. Participaram militares do Vietname, China, Argentina, Cuba, Espanha, Uruguai, Alemanha, França e Trindade e Tobago. Os exercícios foram dos maiores de sempre realizados pela Venezuela, tendo as autoridades de Caracas sustentado a sua dimensão com as ameaças crescentes à soberania.
Recentemente, o presidente norte-americano prolongou o decreto que qualifica a Venezuela como uma «ameaça incomum e extraordinária» à segurança dos EUA, e o ex-presidente colombiano, Álvaro Uribe, apelou à intervenção estrangeira no país. Nicolás Maduro revelou que um avião de espionagem dos EUA invadiu espaço aéreo venezuelano a 11 e 13 de Maio.
A 19 de Maio, a Human Rights Watch (HRW) apelou à «comunidade internacional» para que «actue rapidamente». Dois dias antes, a mesma HRW pediu à Organização de Estados Americanos para que invoque a Carta Democrática Inter-americana por considerar que a democracia e a separação de poderes estão a colapsar no país.
A Amnistia Internacional, por seu lado, titulou de «fragilização dos direitos humanos» o prolongamento, por mais 120 dias, do estado de excepção e emergência económica, proposto pelo presidente e governo da Venezuela, dia 16, e colocado em vigor pelo Supremo Tribunal após rejeição do parlamento.
Nicolás Maduro justifica a medida com a necessidade de travar as interrupções e a sabotagem na produção por parte do patronato, assim como o açambarcamento de géneros e a especulação dos respectivos preços, práticas que as autoridades têm vindo denunciar e a documentar.
Paralelamente, decorre uma tentativa de forçar a realização de um referendo revogatório do mandato presidencial. A oposição promoveu concentrações de contestação à Comissão Nacional de Eleições, entidade que escrutina o pedido de referendo revogatório. As iniciativas culminaram, dia 18, com uma tentativa de ataque às instalações daquele organismo. Na violência esteve envolvido o chefe da segurança do presidente do parlamento, Ramos Allup, o qual terá financiado o «serviço», confessou um dos protagonistas dos desacatos.