Bloqueios, greves e manifestações
contra lei laboral em França

Luta firme dá resultados

A imposição do «pacote laboral» provocou uma escalada dos protestos em França, com greves permanentes e bloqueios estratégicos que paralisam a economia.

Sindicatos endurecem a luta contra ofensiva laboral

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A greve nas refinarias e os bloqueios de camionistas em vários pontos do país rapidamente produziram os efeitos esperados: sem energia a economia não funciona.

Os combustíveis escasseavam em França no passado fim-de-semana. Os automobilistas formavam longas filas junto das estações de abastecimento ainda abertas. Em várias regiões, as autoridades locais impuseram o racionamento: 20 a 30 litros para ligeiros, 40 a 150 litros para pesados. Os abastecimentos em vasilhame foram interditos.

Apesar da trégua do fim-de-semana, a normalidade tarda a chegar. Na sexta-feira, os trabalhadores de várias refinarias votaram a paragem da produção, processo que demora três dias e outros tantos para retomar o funcionamento.

Em face da agudização do conflito, o governo ameaçou usar os corpos policiais para romper os bloqueios de portos, entrepostos, aeroportos e outros centros nevrálgicos da economia, mas a sua tentativa de impor à força a reforma laboral parece cada vez mais votada ao fracasso.

Ao fim da tarde de sábado, 21, o secretário de Estado dos Transportes, Alain Vidalies, anunciou uma nova concessão. Já antes, o governo havia prometido um conjunto de medidas para apoiar a entrada dos jovens no mercado de trabalho, procurando em vão desmobilizar os protestos estudantis.

Agora, após as mobilizações de dia 17 e 19 e perante a multiplicação de bloqueios organizados pelos camionistas, o governo foi forçado a fazer marcha atrás.

Comunicou por escrito aos sindicatos dos transportes que a majoração das horas extraordinárias dos camionistas será mantida nos actuais valores.

Os sindicatos congratularam-se com esta vitória. «A luta compensa», declarou Jérôme Vérité, secretário-geral da CGT/Transportes, citado pela France Presse.

Em vez dos acréscimos de 25 e 50 por cento, a nova lei laboral prevê a redução para dez por cento da majoração das horas extraordinárias, que constituem uma parte importante das remunerações no sector.

O dirigente sindical lembrou que, já no início de Março, a CGT tinha alertado o primeiro-ministro e o secretário de Estado dos Transportes para as consequências desastrosas da redução do valor das horas extraordinárias no sector. Mas Valls e Hollande não quiseram ouvir, apostando no desgaste natural de uma luta que já leva mais de dois meses.

Pressão aumenta

Porém, apesar do recuo do governo, os sindicatos dos transportes da CGT e da FO apelam ao prosseguimento da luta. «As acções não devem cessar, há outras disposições da lei a combater, entre elas, o período de trabalho nocturno», declaram as duas centrais num comunicado conjunto.

Os camionistas, trabalhadores portuários, dos caminhos-de-ferros, dos aeroportos, correios e de outros sectores reiniciaram os protestos na segunda-feira.

Para amanhã, quinta-feira, 26, estão previstas manifestações em todo o país e greves nos diferentes ramos de actividade.

Nos dias seguintes realizar-se-ão plenários nas empresas, serviços públicos e estabelecimentos de ensino.

Uma nova jornada de greves, com uma manifestação gigante em Paris, está marcada para 14 de Junho, dia em que o odiado diploma começará a ser debatido no Senado.

A pressão sobre o governo aumenta à medida que se aproxima o campeonato europeu de futebol (entre 10 de Junho e 11 de Julho). Mas os sindicatos reiteram que não baixarão os braços até à retirada definitiva de uma lei que a maioria dos franceses rejeita (70%, segundo as sondagens).




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