Dizer não às ingerências
O deputado comunista Paulo Sá acusou a Comissão Europeia de «tentar condicionar» uma vez mais as «opções soberanas do nosso País». Subjacente a tais interferências está um objectivo bem claro: «criar condições para interromper a política de reposição de direitos e rendimentos iniciada há seis meses e voltar ao passado, à política de exploração e empobrecimento tão diligentemente aplicada pelo anterior governo PSD/CDS».
O deputado do PCP reagia assim, no passado dia 18, à nota divulgada pela Comissão Europeia pedindo a Portugal novas medidas de austeridade até 2017 e uma avaliação, até Fevereiro desse ano, da despesa em todos os níveis da administração pública.
Dizendo saber bem o que significam as «medidas estruturais» exigidas por Bruxelas – «medidas de confisco de direitos, de rendimentos dos trabalhadores e do povo», precisou –, Paulo Sá reiterou que em face de tais imposições exige-se «uma ruptura» com as mesmas.
«É preciso dizer não às ingerências, às pressões e às chantagens das instituições europeias e afirmar de forma determinada a intenção de prosseguir e aprofundar as políticas de reposição de rendimentos que, embora de carácter limitado, dão resposta às aspirações dos portugueses», sublinhou o parlamentar do PCP em declarações aos jornalistas, no Parlamento.
Disse ainda esperar do Governo uma «determinação muito forte» para «prosseguir e aprofundar» as políticas de reposição de rendimentos.
Nessa recomendação sobre Portugal ao Conselho Europeu, divulgada nesse mesmo dia, a Comissão Europeia fala na necessidade de «mais medidas» face ao que considera ser a existência de um «risco» de que o País não cumpra as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento.