Direito à saúde
Em luta contra o novo contrato de trabalho, médicos internos realizaram, dias 26 e 27, a primeira paralisação em 68 anos de história do serviço nacional de saúde britânico.
Maioria dos britânicos apoia a luta dos médicos
A jornada mobilizou médicos de inúmeras especialidades, incluindo de serviços de emergência, maternidades e cuidados intensivos.
Na origem do conflito, que já se arrasta há vários meses, está a política de cortes no serviço nacional de saúde (NHS, na sigla inglesa), que se traduz igualmente no agravamento das condições de trabalho dos médicos internos.
A greve da semana passada, a maior de sempre no sector, provocou o cancelamento de quase 13 mil de cirurgias e mais de 110 mil consultas. Em cerca de 150 hospitais, o pessoal clínico realizou concentrações de protesto no exterior.
Em Londres, milhares de médicos que se manifestaram no centro da cidade receberam a solidariedade de professores e outros trabalhadores que se juntaram ao desfile.
A maioria dos britânicos está do lado dos médicos e culpa o governo de David Cameron pelo conflito e pelo desinvestimento no NHS.
De acordo com uma sondagem do Ipsos Mori para a BBC, 57 por cento da população apoiam a greve geral dos médicos e 54 por cento responsabilizam exclusivamente o governo pela paralisação.
Discursando perante os manifestantes, o líder trabalhista, Jeremy Corbyn, expressou apoio à luta dos médicos internos e desafiou o governo a satisfazer as suas reivindicações.
Porém, o executivo tory não deu sinais de cedência. O titular da Saúde, Jeremy Hunt, declarou que o governo não se deixará «chantagear», insistindo que levará por diante a promessa eleitoral de oferecer um NHS sete dias por semana.
A Associação dos Médicos Britânicos (BMA) está disposta a negociar, mas exige recursos humanos e financeiros adequados.