PSOE/Ciudadanos

Casamento falhado

Os líderes do Partido Socialista Operário Espanhol, Pedro Sánchez, e do «Ciudadanos», Albert Riviera, chegaram a acordo, dia 24, sobre as linhas políticas gerais de um futuro governo socialista.

O acordo garante que os deputados de «Ciudadanos» votarão a favor da investidura de um governo chefiado por Sanchez, quando até aqui a formação conservadora apenas prometia uma abstenção.

Na primeira votação no parlamento, marcada para ontem, dia 2, os socialistas podiam contar com pelo menos 130 votos (90 do PSOE e 40 dos Ciudadanos), número superior aos 123 votos do Partido Popular, mas longe da necessária maioria absoluta.

Seguir-se-á uma segunda votação no próximo sábado, 5, em que o governo poderá passar apenas com maioria simples. Todavia, também essa hipótese parece condenada ao fracasso.

Podemos, Compromis e Esquerda Unida, que suspenderam as negociações com o PSOE após o acordo como o Ciudadanos, indicaram claramente que não apoiarão uma tal solução governativa.

O porta-voz do Podemos no Congresso, Íñigo Errejón, acusou o PSOE de deitar fora uma oportunidade para formar um governo para a mudança. E lembrou que o pacto estabelecidos deixa de lado questões tão importantes como a «Lei da Mordaça» ou a revogação da reforma laboral, prevendo em contrapartida a diminuição das indemnizações por despedimento.

Pela Esquerda Unida, Alberto Garzon afirmou que «o projecto económico dos Ciudadanos é antagónico ao nosso», lembrando que «o PSOE tem de decidir nos momentos cruciais entre defender as classes populares ou o IBEX-35» (o principal índice da bolsa de Espanha).

Por seu lado o partido de Riviera já declarou que reconsiderará o apoio a Sánchez se este não conseguir passar no parlamento, dando assim a entender que procurará um entendimento com o PP.

Dos populares não é de esperar uma abstenção para viabilizar um governo do PSOE. Isso decorre univocamente das declarações de Mariano Rajoy que continua a reclamar o direito de governar.

Neste quadro, o mais provável é abrir-se um novo ciclo de negociações em que várias combinações serão possíveis.

Tanto o Podemos como a Esquerda Unida e outras forças manifestam abertura para continuar a negociar com o PSOE a formação de um governo progressista, mas excluem a participação do Ciudadanos, essa é uma linha vermelha.




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