Caradepauísmo

Manuel Gouveia

Um tipo pensa que está preparado para tudo, e depois lê as declarações de Passos Coelho sobre a TAP e (re)descobre que há sempre novos limites a ultrapassar. Neste caso, bateu-se novos recordes de desfaçatez e falta de vergonha, daquilo que os brasileiros poderiam chamar o caradepauísmo.

Passos Coelho queixou-se (sem esboçar sequer um sorriso!) de que o actual Governo tinha permitido que um grupo chinês entrasse no capital da Gateway (o grupo privado que o seu governo colocou ilegalmente na TAP) e tinha ocultado essa informação dos portugueses.

É certo que as opções criminosas do governo PSD/CDS não ilibam o Governo do PS de responsabilidades se tomar opções criminosas. Mas deveriam inibir o ex-primeiro ministro de falar desta forma. Omitir informações? Mas haverá assim tanta gente que já se esqueceu que ele mentiu sobre o conteúdo da negociata realizada com a TAP, mentiu sobre o verdadeiro controlo accionista da Gateway, escondeu as garantias públicas que deu aos capitalistas falidos da Gateway, escondeu os documentos e os acordos secretos assinados com a Gateway e a banca? E será que ele pensa que a malta já esqueceu que ele entregou directamente a empresas chinesas o capital da EDP e da REN, com perdas directas para o Estado português (e correspondentes ganhos para alguém), denunciadas pelo Tribunal de Contas, de mais de dois mil milhões de euros?

Passaram-se três meses desde que a TAP é gerida ilegalmente por capitalistas privados. Não entrou um tostão dos capitalistas na empresa, mas já saíram milhões (nomeadamente para «comprar» os ATR e Embraier da Azul, e na troca das opções de compra dos A350 que vinham para a TAP e foram para a Azul).

Não sendo indiferente a estrutura accionista da Gateway, e sendo reais os novos perigos trazidos com a «entrada» de um grupo monopolista que detém inúmeras participações, como na Swissport, na Globália e na Azul (daqui as aspas), o verdadeiro problema não está na nacionalidade do «novo» parceiro da Gateway mas no facto de o Governo do PS ter optado por tentar legalizar a presença dos capitalistas da Gateway na TAP e mantê-los na sua gestão. Uma opção que o PCP continuará a combater.




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