RPDC na órbita global
A República Popular Democrática da Coreia (RPDC) está a ser acusada de usar o lançamento de um satélite para encobrir um teste militar.
Todas as partes devem salvaguardar a paz regional, lembra a China
LUSA
Colocação em órbita de um equipamento de observação terrestre, ou pretexto para efectuar um ensaio de misseis balísticos. Estas são as duas versões antagónicas a respeito da iniciativa levada a cabo pela Coreia do Norte, domingo, 7.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas (CS), reunido de emergência a pedido dos EUA, da Coreia do Sul e do Japão, parece sufragar a segunda leitura ao condenar em uníssono a Coreia do Norte. A eventual aplicação de (novas) sanções ao país, proibido pelo órgão de cúpula da ONU de realizar testes e desenvolver projécteis de longo alcance ou tecnologia nuclear, foi, no entanto, adiada.
A unanimidade verificada no CS, porém, oculta diferenças na análise da acção que Pyongyang defende como legítima no quadro do direito a usar o espaço exterior com fins pacíficos, e que a dita «comunidade internacional» insiste tratar-se de um teste militar e de uma provocação.
Antes da reunião, o embaixador da República Bolivariana da Venezuela, país que exerce actualmente a presidência do CS, revelou a existência de consenso para recriminar a violação das cinco resoluções aprovadas, desde Julho de 2006, relativamente a ensaios de mísseis e armamento atómico por parte da RPDC. Mas o consenso fica por aí.
Com efeito, o lançamento do satélite norte-coreano no passado fim-de-semana foi abordado pela República Popular da China com cautela. Em declaração oficial em que lamenta o uso, no actual contexto, de um foguetão pretensamente capaz de atingir os EUA, a diplomacia chinesa sublinha dois outros aspectos, a seu ver relevantes.
Tensão escusada
Para Pequim, «a Coreia do Norte devia ter direito a uma utilização pacífica do espaço exterior, mas esse direito está actualmente restringido pelas resoluções do CS ONU». Pelo que a iniciativa de Pyongyang não contribui para aliviar a tensão na península coreana. Semelhante apreciação formulou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa.
Por outro lado, a China nota também que todas as partes devem «salvaguardar a paz e a estabilidade regional», de que faz parte a necessária desnuclearização dos territórios Norte e Sul da Coreia. Isso mesmo foi salientado pelo presidente Xi Jinping em conversa telefónica com Barack Obama.
EUA, União Europeia, NATO ou Grã-Bretanha, por seu lado, alertam para o perigo que constitui o lançamento do referido foguetão, pois, alegam, tal encobre um teste cujo objectivo é aperfeiçoar a capacidade nuclear militar.
A RPDC rejeita tal suspeita e antes do envio do satélite para a órbita global o jornal do Partido do Trabalho da Coreia, citado por agências de notícias, assegurava que Pyongyang não tenciona usar o armamento nuclear de que dispõe, e que este só serve para equilibrar a relação de força com Washington e Seul.
EUA, Coreia do Sul e Japão desconfiam daquelas garantias e, a pretexto da mais recente iniciativa norte-coreana, iniciaram conversações para a instalação na Coreia do Sul de um sistema anti-míssil norte-americano, ao qual se opõe a China.