Arbítrio em França
Desde que foi declarado o estado de emergência em França, na sequência dos atentados de 13 de Novembro em Paris, as forças policiais já realizam 3242 buscas domiciliárias e emitiram mais de 400 ordens de permanência na habitação.
De acordo com relatos recolhidos pela Amnistia Internacional, que constam de um relatório divulgado dia 4, a acção das autoridades têm-se traduzido numa série de violações dos direitos humanos.
As pessoas ouvidas pela organização afirmam que as medidas de excepção têm sido aplicadas de forma discriminatória, atingindo especificamente a população muçulmana.
Na maioria dos casos, as medidas de coacção são aplicadas sem prova concreta de conduta criminosa. Os relatos falam em violações do domicílio em plena noite, arrombamentos de portas e outros actos claramente abusivos.
Várias mesquitas e locais de oração têm sido encerrados arbitrariamente, privando comunidades inteiras dos seus lugares de culto.
Os milhares de operações realizadas apenas deram origem a quatro investigações criminais relacionadas com actos de terrorismo, bem como a mais 21 por «apologia ao terrorismo». Outras 488 investigações foram motivadas por delitos não relacionados com terrorismo.