Jerónimo de Sousa na AR

Há que elevar as pensões

A decisão de descongelar as pensões, depois de quatro anos de cortes e perda do poder de compra, foi classificada como «claramente insuficiente» pelo Secretário-geral do PCP, que instou por isso o primeiro-ministro a proceder a uma actualização mais justa dos rendimentos dos pensionistas.

«Os valores de actualização são manifestamente escassos para as pensões até 628 euros e as restantes não terão mais uma vez qualquer actualização», lamentou Jerónimo de Sousa, ao dirigir-se no debate quinzenal de sexta-feira passada, 15, no Parlamento, a António Costa, a quem transmitiu que o aumento do complemento solidário – sendo obviamente importante – «não pode significar a continuação de um caminho de desvalorização do direito à actualização das pensões que resultam dos descontos para a Segurança Social». Daí considerar que urge «elevar o rendimento dos reformados e idosos».

À insuficiência das medidas aprovadas pelo Governo neste domínio respondeu o primeiro-ministro argumentando que também o Governo gostaria de «poder ir mais longe», mas que não dispõe de «condições» para tal.

Reiterada por Jerónimo de Sousa foi, por outro lado, a oposição do PCP à privatização da CP Carga, posição claramente divergente da assumida pelo Executivo que disse ser este um processo em matéria de transportes que prosseguirá o seu curso ao contrário de outros onde haverá reversão das decisões tomadas pelo governo do PSD/CDS.

Comparando este primeiro debate do ano com o realizado há um ano, Jerónimo de Sousa constatou entretanto que a «realidade é diferente» e que a derrota do PSD e CDS permitiu «abrir um caminho de recuperação de direitos que, mesmo não resolvendo de uma só vez todos os problemas e preocupações do nosso povo, permitiu já concretizar um conjunto de medidas importantes». Com incidência, exemplificou, na «recuperação dos salários, na redução dos impostos sobre os rendimentos do trabalho, na reposição de feriados, na abertura do caminho para a reposição das 35 horas para todos os trabalhadores da administração pública». Em síntese, «medidas positivas para os trabalhadores e para o povo que é preciso consolidar». E sublinhou que não se trata de «inventar direitos novos, mas apenas de repor aquilo que é justo, aquilo que pertence aos trabalhadores e aos reformados e pensionistas».

 



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