Um sistema assassino
Em plena época natalícia o País ficou chocado com a morte de David Duarte. O jovem de 29 anos morreu numa cama do Hospital de São José devido à inexistência de uma equipa de neurocirurgia vascular que o pudesse operar de urgência a uma ruptura de um aneurisma, intervenção que com grande grau de probabilidade lhe salvaria a vida.
O caso foi amplamente mediatizado e isso fez com que fosse do conhecimento geral a razão de fundo desta morte criminosa – os cortes orçamentais na saúde operados pelo anterior governo, que fizeram com que desde Abril de 2014 aquela unidade hospitalar não tivesse um piquete de emergência daquela especialidade ao fim-de-semana. Mas é necessário dizer de forma muito clara que este caso está longe, muito longe, de ser isolado. O PCP não se cansou, durante os últimos anos, de chamar a atenção para as terríveis consequências dos cortes que entre 2010 e 2014 foram efectuados no Serviço Nacional de Saúde.
Foram mais de mil milhões de euros de cortes, mais precisamente 1116 milhões de euros. Cortes que reduziram drasticamente o número de profissionais e de valências dos serviços de saúde. Cortes que como o PCP não se cansou de denunciar tinham um conteúdo de classe, de discriminação dos mais pobres, dos mais desprotegidos – como os idosos - e dos residentes nas zonas menos desenvolvidas e mais isoladas do País. Cortes que estão na origem da morte do jovem David Duarte e de muitas outras mortes que poderiam ter sido evitadas.
Mas existe o reverso da medalha destes cortes. Eles serviram um propósito – a privatização do Serviço Nacional de Saúde. Serviram para engordar os lucros dos grandes grupos económicos que fazem da saúde, dos hospitais, dos seguros de saúde, e da opção entre a vida e a morte um negócio de muitos muitos milhões. É por isso que a coincidência da notícia da morte de David Duarte com a notícia da «resolução» do BANIF, não é de todo uma coincidência. É que em 31 de Dezembro de 2012 o governo do PSD/CDS anunciou a injecção de 1100 milhões de euros no BANIF – o mesmo valor dos cortes na saúde. Passados três anos esse mesmo banco suga ao Orçamento do Estado mais 2255 milhões de euros.
Nestes três anos muitos foram aqueles que morrerem porque foi necessário ajudar e salvar bancos e banqueiros. É este sistema assassino que temos de combater.