e Viana do Castelo
O voto é do povo!
Numa acção sem paralelo, Edgar Silva participou, sexta-feira, 11, numa sessão pública em Santarém. No dia anterior, o candidato à Presidência da República percorreu o distrito de Viana do Castelo.
«É preciso dar voz aos que não a têm»
Em Santarém, no Hotel Alfageme, centenas de pessoas ouviram Edgar Silva contar a fábula do escorpião que, em apuros, pediu a um sapo que o levasse através de um rio. No meio do caminho, o escorpião ferrou o sapo «com um veneno fatal», e este perguntou-lhe: «porque me picaste?». «Está na minha natureza», respondeu-lhe o escorpião.
A história serviu para ilustrar aquilo que é Marcelo Rebelo de Sousa: «O candidato da direita que esteve e está ligado a todas as políticas de desastre e de destruição que foram impostas a Portugal.» «O que está agora em causa, na preparação destas eleições para a Presidência da República, é impedir que PSD e CDS, com o seu candidato, retomem a trajectória de empobrecimento e exploração», afirmou, frisando que, se aqueles partidos de direita «recuperarem o poder», as «portas da esperança, que agora foram abertas, serão fechadas a 24 de Janeiro».Responder aos desafios
Nas suas intervenções, separadas por períodos de perguntas, Edgar Silva sublinhou ainda que a sua candidatura é a única «capaz de responder aos desafios que este tempo novo nos coloca», porque «defende os valores de Abril e faz valer a Constituição da República Portuguesa». «Só esta candidatura, e nenhuma outra, será capaz de dar voz ao justo clamor dos trabalhadores, ao movimento de exigência e de reclamação que há em Portugal, apontando para um novo rumo, um novo projecto de desenvolvimento, com justiça social e progresso», acrescentou, precisando que «é preciso dar voz aos que não a têm», principalmente «aos trabalhadores, mas também aos milhares de homens e mulheres que reclamam uma democracia cultural, social, política e económica».
Perante uma sala cheia, Edgar Silva garantiu que a sua candidatura vai a votos no dia 24 de Janeiro porque em democracia «o voto é do povo». «Não rejeitaremos nenhuma das possibilidades que o povo português nos venha a dar», assegurou.
Na mesa estiveram ainda José Luís Cabrita e Paulo Macedo, respectivamente mandatários concelhio e distrital da candidatura, e Octávio Augusto, da Comissão Política do Comité Central do PCP.
Visita ao Hospital Distrital de Santarém
Sentir os problemas das pessoas
Edgar Silva reuniu, na sexta-feira, com o Conselho de Administração do Hospital Distrital de Santarém – composto por José Rianço Josué, Maria Bernardes, Ilda Veiga, João Rico e Pedro Caetano –, a quem deu a conhecer que, no âmbito da pré-campanha para as eleições presidenciais, «contactou com serviços de saúde, unidades hospitalares, com os seus conselhos de administração, profissionais, representantes dos utentes», em vários locais do País. Com o candidato estiveram Diogo D'Ávila, da Direcção da Organização Regional de Santarém do PCP, e José Luís Cabrita, eleito da CDU na Assembleia Municipal de Santarém e mandatário concelhio da candidatura.
«As questões que se reportam ao Serviço Nacional de Saúde e o cumprimento das Funções Sociais do Estado são obrigações que estão directamente atribuídas ao Presidente da República (PR), que deve zelar pelo cumprimento da Constituição da República Portuguesa (CRP). Há matérias que dependem obviamente da Assembleia da República e do Governo, mas o PR, no âmbito das suas incumbências, tem de estar identificado com o sentir das populações», salientou Edgar Silva, que quis aprofundar «os problemas que aqui são sentidos». «Queremos ouvir-vos e perceber a que nível é que as respostas estão a ser pensadas e perspectivadas», apelou.
José Rianço Josué, presidente do Conselho de Administração, informou que aquele hospital, com 30 anos de existência, «tem uma frequência diária de cerca de dois mil doentes, numa população, muito envelhecida, que ronda os 200 mil habitantes». «Todas as semanas temos, em média, um ou dois doentes com mais de cem anos», ilustrou.
Informou, de igual forma, que aquele hospital tem cerca de 1500 trabalhadores. «Gostávamos de ter mais trabalhadores. A saúde faz-se com pessoas, por mais equipamentos que se tenham», confessou, salientando existir «alguma carência de pessoal médico em algumas especialidades». «Santarém, como a maior parte dos hospitais, sofre desse mal», lamentou, esperando que, «dentro de três ou quatro anos, finalmente, haja essa reposição do efectivo médico na maior parte das especialidades».
No final, teve lugar uma visita aos vários departamentos e serviços. Porque o mundo é pequeno, encontrou o padre João Borja, capelão no hospital, conhecido de longa data e que tem vindo a seguir a campanha do candidato Edgar Silva, a quem desejou a «melhor das sortes», e uma madeirense, que ali estava internada.
Com as populações no Alto Minho
Na quinta-feira, 10, a candidatura de Edgar Silva à Presidência da República esteve no distrito de Viana do Castelo. Na parte da manhã, o candidato apoiado pelo PCP foi recebido pelo presidente do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, que, entre outras preocupações, relembrou a falta de financiamento com que se confronta e os constrangimentos que daí advêm, condicionando uma actividade mais ampla daquela que é a única instituição do Ensino Superior com sede no Alto Minho.
Na parte da tarde, o candidato visitou as instalações da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) na Areosa, bem como as instalações desta instituição no Cabedelo, que se encontra em risco de fechar devido ao corte de financiamento da Segurança Social, pondo em risco 15 postos de trabalho e a assistência aos 31 jovens com deficiência que ali se encontram institucionalizados.
Ainda durante a tarde, a candidatura de Edgar Silva promoveu uma acção de contacto com os cerca de 500 trabalhadores da empresa Browning, tendo havido muito bom acolhimento.
No final do dia, cerca de sete dezenas de apoiantes participaram num jantar volante na sede de campanha, onde o Edgar Silva afirmou a necessidade e a importância da sua candidatura, pois é a única que é «desenvergonhadamente de esquerda, a que defende a Constituição e os valores de Abril».